terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Outras Possibilidades


Em julho de 2006 os campos mundiais bombearam petróleo a uma taxa de 85,5 milhões de barris diários. Desde então, eles não chegaram nem perto disso, mesmo com os preços variando de US$ 75 a US$ 98 por barril. Isto levanta a significativa questão: Estaria a produção indo morro abaixo?


Não é como se ninguém tivesse predito isto. Os verdadeiros crentes no que é chamado “Pico do Petróleo” reúne um grupo de sobreviventes, os avessos ao capitalismo, alguns poucos investidores bilionários e vários respeitáveis geologistas, há muito, esperam por isto no decorrer desta década.


No ambiente das indústrias do óleo e das agências governamentais que trabalham com isto, tal conversa é tida como prematura. Tem havido quedas de produção em tempos passados, acima de tudo, mesmo que acorridas em tempos de crise. Na maioria dos cenários criados por eles, a produção mundial começará a crescer de nove em breve, atingindo um pico de mais de 110 milhões de barris em 2030 ou arredores.


Isto em si, já é mais que alarmante. Mesmo os mais otimistas acreditam que temos menos de três décadas para início de escassez? Mas as conferências da industria neste último quadrimestre têm sido bem mais sombrias. Os executivos da ConocoPhillips e da gigante francesa Total, ambos declararam que eles não vêem a produção atingir 100 milhões de barris diários em qualquer época. A maior autoridade no assunto que é a International Energy Agency dos EUA já alertou que “novos incrementos na capacidade produtiva não estão em consonância com o declínio de produção dos atuais campos e do aumento da demanda projetada”.

Isto não é o mesmo que dizer que a produção já atingiu seu pico e está para declinar rapidamente – visão dos verdadeiros adeptos à teoria do pico. Na teoria do pico “lite”, como alguns a chamam, o cerne da questão não seria tanto geológica quanto política, técnica, financeira ou mesmo relacionada a recursos humanos. Todos estes fatores atrasam a chegada do óleo no mercado, significando que a produção não atingiria um pico mas um platô. Mas com a crescente demanda mundial, principalmente as verificadas na China e na Índia, mesmo a ocorrência de um platô resultaria em suprimento precário.

Não que seja que o óleo esteja acabando. Existem reservas massivas disponíveis como nas areias betuminosas canadenses, Xisto do Colorado, óleo extra-pesado da Venezuela e outras reservas não convencionais. O problema é que este óleo é difícil de extrair e de ainda mais difícil refino, e não se poderá contar com a sua produção em escala mundial em tempo próximo. Quase todos concordam que a produção de petróleo convencional fora dos paises da OPEC já atingiram o pico ou em breve atingirão, uma realidade que mesmo as recentes descobertas de 8 bilhões de barris na costa do Brasil não serão capazes de contrabalançar o declínio de diversos campos em operação.
A questão principal é a OPEP, que representa as forças do óleo no Oriente Médio e outros poucos grandes exportadores, representando 41% da produção mundial de petróleo. Todo cenário otimista diz que esta fatia crescerá dramaticamente nas próximas décadas. Quer dizer, se as coisas se encaminharem bem, EUA assim como as demais nações importadoras se tornarão substancialmente mais dependentes da Arábia Saudita e seus vizinhos.

O quadro se torna sombrio. Em seu livro “Twilight in the Desert” de 2005, o banqueiro e investidor na área energética, Matt Simmons abriu um ainda vivo debate sobre quando a Arábia Saudita, o maior produtor da OPEP, poderia aumentar sua produção atual. Desde o lançamento do livro, a produção daquele país caiu de 9,6 milhões de barris diários para 8,6 milhões, a despeito dos preços ascendentes.

Matt Simmons é um adepto da teoria do pico, pertenceu ao governo americano como conselheiro de Bush para assuntos energéticos. Faz tempo que o assunto deixou de ser tratado pelos “apocalípticos” e passou a ser analisado pelos estrategistas.

Oficiais sauditas proclamaram na ocasião do encontro da OPEP realizado em Riyadh, em meados de novembro, que a produção pode ser aumentada a qualquer tempo. Mas isso levanta a impertinente questão: por que não aumentam?
A resposta dos lideres da OPEP é que os especuladores é que são culpados pelos altos preços e também o dolar em queda, nada a ver com baixa produção. Eles não estão simplesmente soltando fumaça. Lynn Westfall, economista chefe da refinaria Tesoro Corp., diz que existe mais óleo à venda do que o suficiente atualmente. A pressão nos preços, como ele explica, “provem de especulação no mercado financeiro de futuros.”

Se os membros da OPEP não são capazes de incrementar a produção , então será impossível continuar culpando os investidores pela alta nos preços. O que acontece então? “Se tivéssemos melhores informações, poderíamos dizer no encontro mundial da OPEP: “Senhores, não é culpa de ninguém, mas o que acontece é que chegamos no limite,” diz Simmons. “Teremos que adotar algumas práticas de preservação que são draconianas, ou faremos guerra um contra o outro.”

Entre os adeptos da teoria do pico, guerra e catástrofes econômicas são temas preferidos. Eles sustentam que óleo barato é o combustível essencial ao moderno capitalismo, que afundará sem ele. A maior esperança é que a inovação é que seja o combustível essencial ao capitalismo moderno e que os altos preços do óleo levarão a avanços rápidos na direção do desenvolvimento de combustíveis alternativos e preservação do petróleo restante. De outro modo, o início do final da era do óleo estaria bem á frente no cronograma.

A parte:


O último relatório do IEA, mês base outubro, exibe uma produção mundial média diária de petróleo de 86,43 milhões de barris ao dia, superando em quase 1 milhão de barris a maior antes registrada, 85.5 milhões em julho de 2006, como dito no início deste artigo. Ainda não representa evidência que a produção mundial tenha voltado a crescer, por se situar ainda na faixa dos desvios esperados quando se faz a distribuição estatística.
O gráfico acima mostra a evolução da produção do petróleo nos últimos 5 anos, dados da EIA (Energy Information Administration), americana, e da IEA (International Energy Agency) sediada em Paris.

Baseado em artigo de Justin Fox

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Subdesenvolvimento Humano


IDH do Brasil sobe para 0,8 e país entra para grupo de Alto Desenvolvimento Humano

A manchete acima e outras do tipo: “Brasil passa a ser considerado um país desenvolvido” disputavam espaço na banca em que passo sempre, junto à esquina, ponto fixo de dois mendigos e dos malabaristas infantis que se exibem para os veículos parados na sinaleira, no caminho para o Shopping Barra em Salvador.

Criado pelos economistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede a qualidade de vida por outros indicadores que não apenas o Produto Interno Bruto, saltou, no caso do Brasil, de 0,798 para 0,800, uma fantástica evolução a julgar pelas manchetes, mas a julgar pelos números, o país se arrasta. Corre até o risco de estar parado ou mesmo andando para trás, pois uma diferença de 2 milésimos na pontuação pode estar muito bem na margem de segurança dos cálculos.

Mas vai mesmo devagar, tendo conseguido a façanha de ultrapassar uma linda ilha do Caribe, Dominique, mas sendo ultrapassado pela Arábia Saudita e Albânia, perdendo terreno para Argentina, Chile e México.

Muito se fala sobre o problema educacional no Brasil. Ouvi outro dia a Globo dizer que o país não quer saber de educação, caso contrário, o candidato que tinha como plataforma a revolução do sistema educacional brasileiro não teria tido tão poucos votos (Cristovam Buarque).

A quem eles querem culpar com esse dito ninguém sabe, porque espaço quase nenhum recebeu o ex-petista na mídia. E quanto ao nível intelectual de nossos profissionais da imprensa, está estampado nas manchetes.


Assim, o mais provável é que soframos de ignorância generalizada.

O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007, que usa dados de 2005, teve como tema o aquecimento global e seu lançamento mundial foi feito em Brasília, com a presença de Lula.
Em um documento de quase 400 páginas o relatório diz que as nações mais ricas devem prover uma soma de 86 bilhões de dólares por ano a partir de 2015 para ajudar o mundo na adaptação ao aquecimento global e que se pretende estabilizar as emissões dos gases causadores do efeito estufa até 2015 e então começar a reduzir.
Sem o dinheiro, continuam, um mundo mais quente poderá reverter o desenvolvimento em países onde 2,6 bilhões de pessoas vivem com 2 dólares por dia ou menos.

Cientistas no mundo inteiro concordam que o planeta aqueceu em média 0,7 graus Celsius nos últimos 100 anos, trazendo a perspectiva de que teremos um século extremo em termos meteorológicos, subida do nível dos mares, grandes inundações, doenças e ataques às reservas naturais, à agricultura e à pesca.


De acordo com o desenvolvimento do problema, as conseqüências incluirão cenários de mulheres e meninas caminhando maiores distancias para pegar água em partes da África, e pessoas construindo abrigos em bambu pelas enchentes no delta do rio Ganges na Índia.

“Estes impactos... seguem ignorados nos mercados financeiros e na medição do produto interno bruto global (PIB),” diz o relatório.

“Mas a crescente exposição a afogamentos, a tempestades mais intensas, a inundações e stress ambiental vem barrando os esforços da comunidade mais carente em construir um mundo melhor para ela e sua prole.”

Por causa do aquecimento global, disse Olav Kjorven, Chefe do bureau para política de desenvolvimento do Programa de Desenvolvimento da ONU, mais 600 milhões de pessoas na região do sub-Saara na África, passarão fome por causa do colapso na agricultura, e um contingente extra de 400 milhões serão expostos à malária e outras doenças, e um extra de 200 milhões perderão moradia em inundações.

O painel do desenvolvimento diz que grande parte da responsabilidade está com as nações mais ricas, responsáveis por elevadas emissões de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa, principalmente pela queima do carvão e outros combustíveis fósseis.

“As nações do mundo que são as principais culpadas, se assim se pode falar, pela criação deste problema em primeiro lugar têm de agir firmemente para salvaguardar o futuro daqueles que não têm nada a ver com ele mas que são os mais vulneráveis,” disse Kjorven.

As nações desenvolvidas, até agora, falham em cumprir as metas estabelecidas sob o corrente tratado, o Protocolo de Kyoto, no corte da emissão dos gases estufa em 2012, diz o relatório.

França, Alemanha, Japão e Reino Unido estão falhando no que seria o corte de 20% das emissões em 2020.

O Canadá assinou o tratado sob o governo anterior, de legenda Liberal. Entretanto, os Conservadores sob a liderança do Primeiro Ministro Stephen Harper tem se distanciado paulatinamente do Protocolo.

Ed Marckey, dirigente do Select Committe on Energy Independence
and Global Warming, disse que o relatório a importância da "América se movendo com o objetivo de alcançar a meta de 80% de corte nas emissões em meados do século."

"Este relatório proporcionará aos líderes em Washington o imperativo moral de apoiar a ação no congresso e na Casa Branca," declarou o democrata de Massachussets

Na cerimônia em que este relatório vem para o conhecimento mundial, o presidente Lula convidou às nações ricas a fazer a parte delas.

" Em Bali nos iremos discutir seriamente o preço que as nações ricas deverão pagar de forma que as nações mais pobres possam preservar suas florestas," Lula disse. "Porque ninguém vai conseguir convencer uma pessoa pobre em lado nenhum que ele não pode derrubar uma árvore sem ter a garantia de trabalho e do que comer em troca."

Cientistas acreditam que a floresta age como uma enorme esponja na absorção dos gases, mas o desmatamento e as queimadas liberam toneladas de carbono na atmosfera a cada ano, fazendo do Brasil um dos lideres na emissão dos gases causadores do efeito estufa.

O relatório também sugeriu entre outras medidas, a redução das tarifas incidentes sobre o álcool brasileiro "poderiam gerar ganhos não somente para o Brasil, mas para a mitigação das mudanças climáticas."

Assim, nem sempre, para enveredar pelos caminhos da sabedoria a escolaridade é necessária. Às vezes pode ser até prejudicial.

O sistema de ensino está atrelado a uma estrutura que impele a humanidade por determinado caminho. Acontece que não há garantia que o atual caminho seja o mais adequado, ao contrário, a impressão que se tem é que nos desviamos em algum ponto no passado, e quanto mais tempo passa, maior a distancia que teremos que percorrer de volta ao ponto de desvio.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O PICO DO PETRÓLEO




Desde que a humanidade se tornou ciente de que o petróleo é um recurso natural limitado, vários estudos têm sido efetuados para, primeiro, estimar a data ou período em que os primeiros sinais de escassez seriam observados e, segundo, criar instrumentos de regulação em um mercado de escassez, porque sendo o óleo um bem mundial e considerando que ele está desigualmente distribuído sobre o Planeta por razões geológicas bem entendidas, com grande parte dele estando concentrado em cinco países junto ao Golfo Pérsico.

Um dos pioneiros neste estudo foi o geofísico M. King Hubbert. Em 1956 Hubbert previu corretamente o pico da produção de petróleo nos EUA com 15 anos de antecedência, lançando as bases teóricas do que mais tarde seria chamado de “Pico de Hubbert. O Pico de Hubbert, também conhecido como Pico do Petróleo, é um modelo matemático que trata e explica a taxa de extração e esgotamento a longo prazo de petróleo convencional e de outros combustíveis fósseis.


Este modelo mostra que a produção petrolífera mundial alcançará no futuro um pico e depois declinará ao longo de poucas dezenas de anos. Baseando-se nos dados disponíveis sobre a produção a Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás, uma associação internacional criada em 2001, projeta, para os arredores de 2010, o pico para o petróleo e algumas dezenas de anos mais tarde para o gás natural.

Isto conduzirá inevitavelmente a gigantescas conseqüências econômicas para o mundo já que a civilização moderna depende de combustíveis fósseis baratos e abundantes, especialmente para os transportes, produção de alimentos, processos químicos industriais, tratamento de água, aquecimento doméstico e geração de eletricidade.


Em suma, o petróleo é o combustível para o desenvolvimento, ou seu alimento.


Particularmente, gosto de traçar um paralelo entre o consumo do óleo e do leite pelas várias crias de uma única fêmea. Cada teta representaria um campo petrolífero que decrescerá de produção e se esgotará em algum tempo futuro, e o desafio é que todas as crias (povos ou paises) tenham seu alimento e a garantia de desenvolvimento que o alimento proporciona. As leis naturais, no caso da fêmea, cuidará para o alimento dos mais fortes fazendo parte do processo de seleção natural como observado por Darwin, mas aos homens, animais dotados de consciência, será inviável a entrega aos instintos sob pena da auto-destruição.

A palavra "escassez" não é bem-vinda ao discurso político contemporâneo. Este fato retira capacidade ao governo de admitir e mitigar os emergentes problemas sociais e econômicos associados ao pico do petróleo. Este é o maior entrave para que se deflagre um programa de conscientização e racionamento. Ao contrário, interesses econômicos, principalmente mais fortes nas nações mais ricas, tudo farão para negar qualquer tipo de escassez e razões para frear o consumo, diminuindo seus lucros em favor do bem coletivo. O sistema vigente de economia de mercado tem como pedra fundamental o egocentrismo: maior-produção-maiores-lucros-menores-preços-maior-distribuição-desenvolvimento.

A queda de produção do principal produto de consumo tenderá a quebrar esta cadeia.
A administração global da escassez só será possível com a assinatura de um protocolo para manter os preços, sendo que as nações mais desenvolvidas entrarão em um período de pequeno índice de desenvolvimento ou estagnação em favor das mais pobres para que diferenças mais acentuadas sejam mitigadas e o globo acertar o passo em termos energéticos.

Concordo que isto mais parece uma utopia.

De acordo com o modelo matemático proposto por Hubbert, inicialmente um pico na produção petrolífera manifestar-se-ia através de uma escassez estrutural de petróleo por todo o mundo. Esta escassez, como a que parece estar acontecendo no momento, diferenciar-se-ia de outros períodos de escassez do passado devido à sua origem fundamentalmente geológica e não política. Enquanto as anteriores se materializaram numa insuficiência temporária do aprovisionamento, ao cruzar o pico de Hubbert isso significaria que a produção de petróleo continuaria em declínio e que a procura deve ser reduzida para equilibrar o mercado. Os efeitos de tal escassez dependem da taxa de declínio e do desenvolvimento e adoção de alternativas. Se as alternativas não forem impulsionadas, então muitos produtos e serviços, produzidos com petróleo, tornar-se-ão igualmente escassos, levando a um declínio do nível de vida em todos os países importadores. Os cenários previstos vão desde os "apocalípticos" até à "crença que a economia de mercado e novas tecnologias vão resolver o problema".

A economia de mercado, como já se tem dito, é incapaz de lidar com um produto essencial e com a produção em declínio, os preços tendem para o infinito inflacionando a economia como um todo. Já a tecnologia não pode fazer milagres. Os poços são abandonados quando a energia despendida para trazer o óleo à superfície é igual ou maior que a energia obtida armazenada em forma de combustível. Da mesma forma, para a exploração do petróleo não convencional (areias betuminosas, óleo extra-pesado e xisto betuminoso), avalia-se o custo energético e rendimento, mas bom que se saiba a produção é muitas vezes menor e mais complicada, retardando um pouco os efeitos da escassez mas nunca evitando.

Com o propósito de resolver esses problemas do pico do petróleo, Colin Campbell propôs o protocolo de Rimini. Um protocolo que basicamente propõe um acordo entre países produtores e consumidores para diminuírem em conjunto o consumo e produção de petróleo à taxa de declínio prevista pela curva de Hubbert.

É improvável que o próprio pico do petróleo seja o catalisador direto do declínio econômico global. Em vez disso é provável que a grande turbulência econômica comece com a percepção de que o pico do petróleo (e de gás natural) é iminente ou já ocorreu por parte da comunidade financeira. As indicações de volatilidade econômica já se manifestaram na mais alta subida na taxa de inflação mundial em 15 anos (setembro de 2005), que se deveu sobretudo a altos preços de energia e agora com as altas sucessivas a partir de agosto passado em que o óleo vem quebrando recordes atrás de recordes no mercado internacional aproximando-se dos US$ 100 por barril.

Lembrando também que o gás natural é o maior e mais importante material na produção de fertilizantes, uma escalada nos preços de gás natural pode trazer uma grande pressão inflacionária nos preços dos alimentos, para além do aumento nos custos de transporte.


O problema é sem dúvida afeto aos bancos centrais. O aumento indiscriminado nos preços em dólar e a não retração do consumo provocará um desequilíbrio na oferta da moeda inundando o mercado de um papel que há muito é emitido sem lastro. As reservas dos países emergentes têm crescido abruptamente, 1,4 trilhões de dólares por conta somente da China. Não subestimando a economia americana mas enquanto ainda não existir um banco central mundial, cabem a todos os bancos centrais o estudo profundo do assunto que promete se configurar no maior desafio do século.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O QUARTO SELO





“When the third horse loose its black color, there will be sit upon it, The Death.”


Era uma vez, em que eu navegava pela internet empenhado na pesquisa para avaliar o alcance da visão das autoridades brasileiras do setor energético, quando me detive diante de um artigo, de autoria do Sr. Newton Müller Pereira, geólogo pela UFRGS, mestre pela UFBa, doutor pela EPUSP, pós-doutorado pelo SPRU, UK. Professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do IG/Unicamp. Embora sem data, pude perceber que foi escrito no ano de 2001 onde se lia:


“Com tantos finais a rondar, fomos também contemplados com outra pérola do apocalipse, mais uma daquelas que põem fim a alguma coisa cara à humanidade, à sociedade, e que, recorrentemente, é alardeada na mídia nacional e internacional. Refiro-me, desta vez, ao Fim do Petróleo.”


Mais a frente, neste mesmo artigo, ele passa a combater as idéias de Colin Campbell e Jean Laherrère que, no final de milênio, publicaram na conceituada revista de divulgação Scientific American, sob o título O fim do óleo barato, segundo ele, “a mais recente peça apocalíptica sobre o assunto”. Já na parte final de seu artigo, ele coloca uma visão, a seu ver, não tão otimista:


“Cenários publicados recentemente pelo Grupo Shell e pela Agência Internacional de Energia, já no presente milênio, dão conta que é muito improvável acontecer escassez de óleo antes de 2025, horizonte que pode ser estendido para 2040 através de ganhos de eficiência em veículos e do lado da demanda de um modo geral. Também informam que o custo de produção do barril de óleo deverá se manter, pelo menos até 2025, num patamar inferior aos US$ 20, pressionado por avanços tecnológicos. Os custos decrescentes do biofuel e da conversão gas to liquids, ambos já bem abaixo dos US$ 20 por barril equivalente de óleo, impõem limites ao aumento dos preços do barril de petróleo”.

Hoje, o petróleo está na casa dos US$ 90 o barril e não se sabe até onde chega.
Inevitável que o homem, pois faz parte de sua natureza, tente antever o futuro. Desde a antiguidade os oráculos eram consultados - o que nos espera? – a pergunta que angustia a todos desde que começamos a tentar entender o mundo ou a nos mesmos. Prognósticos dos mais otimistas aos mais catastróficos tendem a invadir a mídia a cada final de ano.

Mas existem os que não se importam com essa questão.

Num domingo desses, exibia na TV um quadro do programa Silvio Santos em que as pessoas teriam que escolher, diante de uma pergunta, o compartimento relativo a resposta correta. Estando a resposta incorreta, o compartimento era fechado e as pessoas que o adentraram, eliminadas do jogo.
Lembro-me, que em determinado momento, a pergunta era: Qual o maior produtor mundial de tomates? E as opções disponíveis eram Brasil, Itália, China e EUA, parece. Após uma breve indecisão, o grupo se dirigiu em bloco para o compartimento relativo a Itália como sendo a resposta correta. Todos foram eliminados porque a China é de fato o maior produtor de tomates do globo.

As pessoas parecem preferir entregar seu destino a outrem ao invés de enfrentar suas próprias decisões. Ou estão enfadadas ou preferem acreditar que no final tudo vai dar certo, que o governo que resolva e não pensam mais a respeito.

"O wonder!
How many goodly creatures are there here!
How beautious mankind is!
O brave new world
That has such people in't!"

Em 1932, Aldous Huxley publicou sua mais famosa obra, Admirável Mundo Novo, uma utopia pessimista que parodiava a obra de H. G. Wells – Men Like Gods, uma utopia otimista. Enquanto o mundo paralelo criado por Wells era uma visão socialmente avançada, centrada na integração do homem, deixando o mundo real do passado conhecido como “tempos de confusão”, Huxley aparecia com uma proposta inversa.



Ele apresentava uma sociedade em que o homem aparecia totalmente divorciado da natureza em um mundo artificialmente construído em que nem mesmo o transporte se fazia por terra. O homem no grau máximo de encapsulamento, onde todos os conceitos primários, tais como valores e família haviam sido rompidos em favor de uma sociedade totalmente mecanizada. Esta sociedade adorava o automóvel como um tipo de religião única, tendo as “catedrais”, em seu átrio central, a exposição constante de um modelo do Ford T, o “T” substituía a cruz.

Ainda, o tratamento mais respeitoso às autoridades desse mundo era de “Vossa Fordência”.

As visões pessimistas se parecem mais com a realidade que depois se apresenta. Até o lado otimista deste terrível quadro, que consistia em um formidável desenvolvimento tecnológico com melhoria da qualidade de vida, malogrou. Se é que podemos considerar uma vida de qualidade, uma mais reduzida, porém livre do envelhecimento e doenças. Mas a vida inconseqüente e alienada, regada a muitas festas e drogas, esta sim é a que se fez prevalecer.

Na década de oitenta, um proeminente cientista inglês, Sir James Lovelock, apresentou um estudo, a Hipótese de Gaia, onde ele fornecia indícios, derivados de suas observações em campo, de que o planeta Terra se comportava como um ser vivo quando parecia controlar a temperatura e a composição química atmosférica, de modo que os mantivesse sempre em condições ideais para o desenvolvimento da vida.

O nome Gaia foi tomado da mitologia grega, a deusa Terra.

A Hipótese de Gaia se tornou a Teoria de Gaia alguns anos depois, à medida que novas evidências eram encontradas e passava a ter mais aceitação no meio científico.

Janes Lovelock foi um dos pioneiros a tratar com a devida seriedade o assunto do aquecimento global. Suas projeções com relação ao assunto no que se refere às implicâncias na vida do planeta não são nada otimistas – mesmo que a humanidade pare de queimar os combustíveis fósseis neste momento, o planeta ainda continuaria aquecendo por centenas de anos – a humanidade terá que se adaptar a um clima infernal.

Apenas uma idéia levou toda a humanidade a estar diante de uma situação equivalente a estar em um barco com o motor quebrado próximo as cataratas do Niágara, sem se dar conta.

A idéia infeliz de que o planeta é como uma espaçonave.

Enquanto estava no mar navegando, eu me debatia com uma questão recorrente. Por que a criação tinha parado no homem? Digo em grau de complexidade. Dos microorganismos até os insetos e vertebrados uma infinidade de formas de vida para culminar no homem como o vivente mais complexo não fazia sentido. Deveria existir alguma coisa mais complexa e acima desta coisa mais complexa outra ainda mais complexa até o infinito.

De repente eu descobri o por quê.

Comecei a imaginar como o macaco, por exemplo, poderia ver o homem. Claro que ele não poderia ver o homem como um animal superior e sim como uma forma peculiar de macaco.
Assim, não caberia em nossa cabeça conceber uma coisa superior a nossa porque nossos padrões de referência são inferiores e não entenderíamos como esse ser superior funcionaria.
Colocamos até os deuses na forma humana. A teoria da evolução contraria as escrituras com relação a existência da figura física do Adão e que tenha Deus criado o homem à sua imagem e semelhança.

Entender como seria a vida de um planeta, um ser que poderia ver com muitos olhos e pensar com muitos cérebros e se multiplicasse internamente e não externamente, seria uma tarefa sobre-humana e absolutamente sem amparo no meio científico.

Sir Lovelock, por isso, teve sua teoria marginalizada por um bom tempo, muito em decorrência do próprio nome. O que leva o nome de uma deusa da mitologia não poderia ser levado a sério no meio científico, estando mais para o mundo das crenças e religiões. Eu seu último trabalho, a Vingança de Gaia, o cientista enfatiza a natureza metafórica da alusão ao planeta como um ser vivo.

No meu entender, só há duas formas de ver o homem no contexto existencial. Ou é uma espécie de praga que acomete o planeta que levará à destruição de ambos, ou é uma manifestação de vida do planeta e, portanto, faz parte dele.
Desisti, depois de muitos anos, de ver o homem no mundo de acordo com a primeira hipótese simplesmente por não fazer bem à minha auto-estima, mas para os estudiosos das escrituras, existe uma passagem interessante que coorobora com meu pensamento:

Ele tomou o cego pela mão e levou-o para fora da aldeia. Pôs-lhe saliva nos olhos e, impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?
O cego levantou os olhos e respondeu: Vejo os homens como árvores que andam.

Se assim é, este mundo é predominantemente habitado por cegos, e pior, governado por cegos.

A tarefa dos profetas, hoje, está bem mais fácil. À medida que nossos comutadores ganham mais capacidade de processamento, as visões futurísticas se tornaram mais acuradas. Sabemos, por exemplo, que o nosso tórrido futuro estará em condição irreversível quando a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera atingir 500 ppm e que existe uma relação entre a geração do CO2 e a queima dos combustíveis fósseis.

Curioso é que no presente assim como no passado ninguém dá a mínima para os profetas.

Poderíamos dizer que, como no caso do maior produtor de tomates, o problema reside na desinformação. Mas a verdade é que não. O problema reside na falta de vontade de saber. O saber nos tira a inocência e pode nos obrigar a sair de uma posição confortável de que não queremos abrir mão gerando mais um problema, o de consciência.

O petróleo vai acabar um dia, isto é aceito como fato. Que o óleo pode ser substituído, isto ainda está no campo da ficção.

O petróleo, ao contrário do que se prega, é uma fonte renovável, o problema é que o consumo atual é muito maior do que a natureza pode repor. Hoje, para atender a demanda mundial, o petróleo deve jorrar no equivalente a um décimo das cataratas do Iguaçu. E esta demanda vem crescendo e os campos de outrora grande produtividade estão em declínio.

Vários estudos apontam que neste ano a humanidade atingiu o pico da produção. Daqui para frente teremos que conviver com uma escassez crescente e altos preços.


A alta nos preços abre a oportunidade para a entrada dos biocombustíveis. Mas aos níveis de consumo atuais, a utilização dos chamados combustíveis verdes somente para aplicação no sistema de transportes, isto é, para manter em movimento os veículos leves e pesados, ferrovias, navios e aviões, demandaria a produção de 3 ou 4 gigatoneladas anuais de produtos agrícolas somente para este fim. Como hoje a produção mundial está perto de 0,5 gigatoneladas anuais, quase que totalmente direcionada aos alimentos, precisaríamos de mais dois ou três planetas para saciar tamanha voracidade.

Está claro que necessitamos é de uma redução de consumo. Como dizem, tem gente demais neste mundo e vivendo de forma errada.

Curiosamente, as previsões de crescimento mundial de consumo permanecem a despeito do disparo de preços do óleo e dos alertas emanados do IPCC (Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas). As metas estabelecidas no
protocolo de Kyoto já estão comprometidas, como admitiram vários países participantes.

Os efeitos do aquecimento global no Brasil são potencialmente severos. Alterações nas freqüências das chuvas e níveis pluviométricos deverão ser esperadas. Maior temperatura significa mais água sob a forma de vapor, o que pode levar a secas maiores e mais prolongadas e, por conseguinte, menos energia gerada nas hidrelétricas.

Isto sem falar nas possíveis quebras de safras.


Um cenário perturbador, para se dizer o mínimo, fazendo com que as previsões do Livro das Revelações assuma um caráter otimista. Mas ninguém vai poder dizer que não podia ser evitado. Como está escrito:

E quando ele abriu o quarto selo, ouvi a quarta criatura vivente de muitos olhos bradar: Vem!

“And I saw, and behold, a pale horse: and he that sat upon him, his name was Death; and Hades followed with him. And there was given unto them authority over the fourth part of the earth, to kill with sword, and with famine, and with death, and by the wild beasts of the earth.”

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Bolsas - Sinal de Alerta






Parece que há algo de podre no reino.



As bolsas que deveriam espelhar a perspectiva de evolução do sistema produtivo, sinalizam para uma alta que não condiz com as recentes também altas do preço do óleo no mercado internacional.


Historicamente alta da energia significa recessão e inflação.
Ou acredita-se que o preço do petróleo não vai conseguir sustentação e despencará para patamares de antes de agosto ou uma bolha vem sendo criada sinistramente para engolfar os incautos. Seguindo a euforia a inevitável depressão. Onde apostar?


“Se você pensa que o preço do petróleo está alto hoje, espere até quarta feira” disse a CNNMoney, opinião compartilhada por Sieminsky, economista ligado a questões energéticas no Deutsche Bank: “ Se o FED cortar os juros, ele provavelmente empurrará os preços do óleo ainda mais para cima.”


Existem duas razões simples de que taxas mais baixas ocasionam preços do óleo mais altos. A primeira é que taxas mais baixas são projetadas para promover crescimento econômico via custo mais barato para o financiamento. Crescimentos mais fortes, em compensação, requerem o uso de mais energia e maior demanda puxam os preços. Segunda, baixas taxas de juros usualmente causam a queda da moeda americana o que torna o investimento no país(EUA) menos atrativo ao capital estrangeiro.


O óleo, como varias outras commodities, tem seu preço fixado em dólar. Se o dólar cai, as nações produtoras de óleo, como as pertencentes a OPEC, necessitam um preço maior por barril com vistas a manter o mesmo nível de receita. E também eles não estariam dispostos a aumentar a produção por força de uma demanda crescente em países da Europa, em que o óleo se tornaria mais barato.


A questão central é: Estaria a baixa taxa de juros já exaurido seus efeitos sobre o preço do barril, e se não, até onde ele pode crescer?


“Alguma parcela já foi transferida, mas podemos esperar mais” , foi o que disse Neal Dingmann, um analista da Dahlman Rose & Co.


Isto poderia estabelecer novo recorde de preços nominais, de quando, com a correção dos preços pela inflação, o petróleo atingiu o equivalente a algum valor entre US$ 96 e US$ 101, no ínicio dos anos 80, durante a guerra Irâ – Iraque.
Da mesma opinião compartilha a autoridade do Deutsche Bank.




Quanto ao Bacen, fora a nota singela emanada na última reunião do Copom, ainda não houve manifestação a respeito.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

DIESEL BIO!! SONHOS E DESVARIOS





Há pouco tempo atrás, foi realizado um ciclo de audiências, cuja finalidade central era uniformizar os conhecimentos dos membros de GTI (Grupo de Trabalho Interministerial) sobre o biodiesel .
Nesse sentido, buscou-se convidar entidades e órgãos públicos e privados, bem como parlamentares ligados à área, de modo que se pudesse formar, segundo eles, ao final do ciclo de audiências, um quadro referencial sobre os pontos considerados mais relevantes sobre a matéria.
Longe de uniformizar qualquer coisa, o documento produzido mostrou que não há matéria mais misteriosa, e o resultado foi um condensado de opiniões e profecias sem amparo científico, mostrando que o governo continua perdido em meio a luta dos interessados pelos seus próprios interesses.


Agencia Nacional do Petróleo – ANP

Enfatizou que a Agência, cuja atribuição é implementar a política nacional de petróleo e gás, tem por foco a proteção ao consumidor. Isto deve significar que ao focar no consumidor, alguém mais deve tomar conta de sua atribuição primária. Já que a ANP irá se fazer de PROCON, pode ser que o PROCON então deverá ser o encarregado da implementação da política.


Associação Brasileira das Indústrias de Óleo vegetais – Abiove

Disse que diante do progressivo esgotamento dos combustíveis de origem fóssil, da necessidade de buscar a auto-suficiência, de reduzir a poluição nas grandes cidades e uma vez definidos os aspectos essenciais do modelo brasileiro de produção de biodiesel, a rota tecnológica etílica ou metilica ( usadas na produção de álcool ou cachaça), a relação entre escala e regionalização e mais outras coisas incompreensíveis profetizou que o Brasil irá atender a 60% da demanda mundial de diesel!!!


Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – ANFAVEA

Enfatizando que seu posicionamento estava em consonância com o da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva e com o da SINDIPEÇAS, mostrou-se a favor da redução de preço do combustível, o que seria muito natural se não fosse o diesel já carregar um enorme subsídio.
Mostrou-se excitada embora dissesse preocupada com a durabilidade e integridade da frota existente. Segundo disse o expositor: “deve-se aproveitar a experiência já existente em outros países e ainda realizar testes exaustivos para aferir a viabilidade do biodiesel, ação em que a participação dos fabricantes dos veículos é indispensável por deterem conhecimento completo de seus produtos e componentes.”
Vê-se que ao mesmo tempo em que disseram saber tudo, disseram não saber nada e que muito experimento necessita ser efetuado, com vistas à verba a ser liberada pelo programa.


Central Unica dos Trabalhadores – CUT

Discorreu, inicialmente, sobre o potencial de geração de emprego e renda, no semi-árido, a partir de um programa de biodiesel. Em seguida afirmou que essa alternativa energética não pode deixar de contemplar, como um dos seus pilares básicos, a inclusão social de amplos segmentos empobrecidos do meio rural de forma descentralizada, com o envolvimento de todos os atores públicos e privados e mediante a implantação de complexos cooperativos agroindustriais na perspectiva de um modelo de economia solidária.
Belas palavras para não dizer nada, ou mais um sonho. Os tais segmentos empobrecidos cultivam, em sua franca maioria, alimentos. E alimentos para o consumo próprio. O Banco Central os têm mapeados, visto que muitas das cooperativas de produção estão ligadas á uma cooperativa de crédito.


Confederação Nacional da Agricultura – CNA

Também reivindica desoneração tributária, decisão política, garantia do desempenho dos motores, padronização e garantia de qualidade, incentivo à pesquisa e desenvolvimento. Passando a palavra ao coordenador do Projeto Biodiesel da USP, este enumerou vantagens do biodiesel em termos de desenvolvimento agrícola e etc...Registrou a necessidade de aditivos para o armazenamento, devido o produto ser biodegradável. Disse ainda que a soja representa 96% da cultura das plantas oleaginosas. Em sua avaliação, a adição de até 30% ao diesel seria viável, mas seria aconselhável o início com percentuais entre 2 a 5% .



Coordenação dos programas de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – COPPE/UFRJ

Analisando a questão energética no setor de transportes, a representante da COPPE/UFRJ demonstrou que o segmento rodoviário nacional respondeu, em 2001, por 90,2% do consumo de todos os combustíveis e 56,4 % do óleo diesel. Acrescentando-se o fato de no Brasil se extrair, em média, 33% de óleo diesel a partir do petróleo quando a média mundial é 25%.
Daí por diante a representante se envereda por outras alternativas como óleo para frituras, em que um furgão( que poderia ser até uma pastelaria ambulante) já utiliza desde 2001 e ainda a possibilidade de se extrair óleo dos esgotos e de refugo de nabo forrageiro.


Deputada Federal Mariângela Duarte

Disse acreditar no programa biodiesel como uma forma de combate a pobreza na zona rural sem apresentar dados para a sustentação da tese.


Deputado Federal Rubens Otoni

Este sente-se o pai do GTI e cita o proalcool como exemplo a ser seguido pelo biodiesel.



Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa

Por meio de apresentação conjunta com representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, estes senhores acreditam na inserção da agricultura familiar de subsistência no programa biodiesel, ou seja, as famílias assentadas passariam a cultivar mamona ao invés de feijão e mandioca.


Enguia Power

Segundo seu representante, a empresa tem um projeto privado para assentar até 30 mil famílias no semi-árido, voltado à produção de biodiesel a partir da mamona.
Difícil saber o que pensa este senhor. Talvez ele especule um possível retorno ao tempo da escravatura para levar adiante seu projeto onírico.


Federação dos Municípios do Estado do Maranhão – FAMEM

Ressaltando que 37% do território maranhense é coberto por babuçais nativos, ele já levantou a bandeira do babaçu com a inclusão do trabalho feminino na colheita. Não obstante, identificou a baixa produtividade dos babuçais.


Petróleo Brasileiro S. A. – Petrobrás

Segundo o representante da estatal, a dependência nacional de petróleo e diesel importados é da ordem de 32% do consumo, significando um dispêndio anual de divisas da ordem de US$ 3,2 bilhões (este valor deve ter sido superado e muito em função das recentes altas do preço do petróleo) que poderia ser reduzido ou mesmo evitado com a produção do biodiesel, além da possibilidade de exportação de excedentes.
Tanto otimismo assim chega a comover. O que se esperaria da Petrobrás? Um mapeamento geral do nosso sistema agrícola dizendo as áreas promissoras, os rendimentos esperados e uma projeção do consumo de diesel?


Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia – SECTI

Apontou diversos gargalos tecnológicos e econômicos que, a seu ver, precisam ser superados.Também enumerou as implicâncias benéficas com relação a emprego, renda e recuperação de áreas degradadas, ou seja, nada acrescentou.

Secretaria de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia.

Ressaltou que, considerando-se os preços relativos atuais do diesel e do biodiesel, esse dificilmente seria viável, cabendo ainda considerar os impactos derivados da abertura de novas fronteiras agrícolas. Disse ainda ser o MME responsável em manter a oferta do produto com qualidade e de sustentar o abastecimento de longo prazo.
Em suma, ainda não tem a matéria sob domínio, mas pelo menos foi honesta em dizer, ou em não dizer bobagens.

Sindicato da Industria do Açúcar e do Álcool – Sindaçucar

Disse ser o segmento sucroalcooleiro um cluster responsável por mais de um milhão de empregos.
Não disse o que tal segmento teria a ver com o biodiesel, nem podemos imaginar tampouco.


Sistema Volta ao Campo de Assistência Técnica Multidisciplinar e Integral (SVC)

Trata-se de um criativo esquema custeado pelas prefeituras para assistência técnica aos agricultores. Acredito tratar-se de mais uma ONG que se interpõe entre o poder público e os beneficiários com o intuito de prestar algum tipo de serviço. Pela sua exposição, nada tem a ver com o programa biodiesel especificamente, mas demonstra interesse no bolo a ser repartido.


Soyminas Biodiesel – Grupo Biobras

Com a atuação na produção de biodiesel há dois anos, o grupo possui cinco plantas industriais instaladas nos Estados de MG, SP, MT e GO, mostrou-se contrário a repetição , no caso do biodiesel, da experiência do Proalcool. Afirmou que o biodiesel produzido na Soyminas tem um custo de produção de R$ 0,30 por litro. Contradisse outros expositores ao informar que não existem problemas de estocagem do biodiesel.
Como não apresentou nada que fundamentasse suas afirmações, e o único a não reclamar do preço baixo do diesel, creio que deve ter entrado em palestra errada...


Tecnologias Bioenergéticas Ltda – Tecbio

Este insiste em dizer que o Brasil teria condições de suprir cerca de 60% da demanda mundial de diesel, e ainda a solução para a miséria nordestina.


União da Agroindústria Canavieira de São Paulo - UNICA

Disse que o desenvolvimento da tecnologia para a produção do álcool combustível propiciou a redução de US$ 700/m3 na década de 80 para US$ 200/m3 nos dias de hoje.
Este é um dado impressionante porque se corrigirmos a moeda americana de 1980 para cá, US$ 700/m3 representariam aproximadamente US$2100/m3 ou US$ 2,10/litro, um absurdo. Hoje, a R$ 0,40/litro ainda representa um custo um pouco maior do que declarado pela Soyminas (ver acima). No entanto, vale chamar a atenção sobre o acréscimo de 20% ao preço da gasolina, colocado para oferecer competitividade ao setor alcooleiro, a meu ver, sem necessidade nos dias de hoje dada a fantástica redução nos custos de produção.
Também interessante é o do segmento do álcool mostrar interesse em migrar para o biodiesel, “sem afetar a oferta do álcool, uma vez que a demanda anual não ultrapassará 200 milhões de litros, correspondente ao consumo semanal da frota movida a álcool.” Incompreensível.


Universidade de Brasília – UnB

A UnB desenvolve pesquisas e testes, visando obter o biodiesel em fábricas de pequena escala, pelo processo de craqueamento térmico. Por não necessitar de etanol ou metanol, a exemplo da transesterificação. Existe uma planta piloto, em funcionamento há seis meses, com capacidade de produção de até 200 litros/dia, cuja implantação custou R$ 6.500,00.
Lamentavelmente, não informa qual é o custo da produção, visto que qualquer processo térmico requer dispêndio de energia logo, dependendo da quantidade, todo o processo pode ser inviabilizado.


Universidade de São Paulo – USP

Afirmou que o atual custo de produção do biodiesel é elevado, sendo necessário subsidiá-lo para que se torne economicamente viável.. Em seguida, passou a expor os resultados, ainda incompletos, de estudos que buscam confrontar os impactos ambientais biodiesel versus diesel.
Diante das indagaçõesdo representante do MMA quanto à destinação a ser dada ao glicerol e farelo, subprodutos do biodiesel, e a concorrência entre a produção de oleaginosas para fins energéticos e alimentares, o expositor afirmou existir várias possibilidades de utilização da glicerina e concordou com o posicionamento de que a produção do biodiesel deve ser descentralizada, de acordo com as características regionais.


Conclusão

Nada sabemos sobre a matéria, apenas que onde está a carniça estão os urubus.

O programa parece tomar feição de uma extensão do Pronaf onde várias ONG’s se interpõe no caminho sobrando pouco para os agricultores, sem uma coordenação séria que vise os interesses do país.
Como informou a Petrobrás, importamos cerca de 32% de nossas necessidades de diesel. O preço do petróleo está em vias de bater o recorde de janeiro de 1980, registrando aumento de 7% somente na última semana e, no entanto, os preços do diesel continuam estáveis por mais de um ano em R$1,84 o litro. Mesmo levando-se em conta a desvalorização do dólar no mercado mundial, o preço está claramente defasado. Isto leva a crer que o país ainda não sente a alta do óleo no mercado internacional, provavelmente por conta de contratos antigos no mercado de futuros que devem ter sido fechados antes do mês de agosto.

O caso do diesel no Brasil virou uma bomba relógio.

Com todo um sistema de transporte estruturado na quase totalidade nesta matriz energética, e ainda um sistema quase que integralmente rodoviário que, em relação ao ferroviário, é dez vezes menos eficiente.

A situação a curto prazo é assustadora, a longo prazo caótica.

Com a produção de petróleo leve em declínio, o diesel mineral tende a escassez em primeiro lugar, dentre todos os combustíveis, inviabilizando por completo nosso sistema de transportes.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

OS DONOS DO OLEO



A demanda mundial pelo óleo vem crescendo. Estaria a produção crescendo também?

Hoje, o mundo vem consumindo um pouco mais que 84 mb/d (cerca de 30 bilhões de barris anuais).

Pelo ano de 2025, a demanda global estima-se se situar na casa dos 121 mb/d (44 bilhões de barris ao ano) A demanda crescente nos EUA, China, India e outras nações em desenvolvimento deverão contabilizar um aumento de 60% no consumo até 2025.


De onde virão estes 40 mb/d adicionais?

É deveras incerto que óleo bastante será descoberto para atender a esta demanda. Apesar da Superintendência Geológica dos EUA, assim como o Departamento de Energia (EIA) e a indústria petroquímica acreditarem que ainda restam 3 trilhões de barris esperando para serem extraídos, sendo que 1/3 deles ( 1 trilhão) já se tem conhecimento onde se localizam.

Outros afirmam que a produção dos maiores campos já encontraram seu pico produtivo ou em breve encontrarão. Várias grandes descobertas da ordem de bilhões de barris seriam necessárias apenas para repor o declínio de produção destes campos mais antigos, e bem poucas descobertas dessa magnitude têm acontecido em décadas recentes.


Muitos predizem que o pico da produção mundial de petróleo deve acontecer entre os anos de 2010 e 2020.
Um dos que comungam com essa idéia é Richard Heinberg do Post Carbon Institute e autor de três livros sobre o pico da produção do óleo.
Heinberg diz que o mundo nunca chegará a produzir alguma coisa da ordem de 120 mb/d como divulgado pela EIA.
Diz ainda que o pico da produção mundial já ocorreu em maio de 2005, a produção de 33 dos 48 maiores paises produtores está em declínio e que as descobertas globais encontraram seu pico em 1964.

Mais importante de tudo, ele diz que as reservas no Oriente Médio, onde a EIA prediz que suprirá o aumento da demanda, foram sistematicamente superdimensionadas.

“Todo mundo toma suas figuras pelo valor de face”, disse Heinberg. “Mas elas são companhias nacionais, não podem ser auditadas”

Ao invés de uma produção chegando a 121 mb/d, Heinberg vê uma produção estável no patamar atual nos próximos poucos anos, e então, um declínio gradual começando em 2010.
Pelo ano de 2015, ele diz que a taxa de declínio acelerará a medida que um poço atrás do outro parar de produzir e pouquíssimas novas descobertas acontecerão.
Lá pelo ano de 2030 o mundo terá que se virar com uma produção em torno de 30 milhões de barris ao ano.

“Vai ser um enorme choque para o sistema global,¨ diz Heinberg. “ Estamos falando de alguma coisa parecida com a grande depressão ou muito pior.”

Qualquer que seja o resultado de quanto petróleo ainda resta, o que realmente está interessando aos analistas, neste momento, é o desenvolvimento sensacional da China e sua demanda fabulosa pelo óleo.

A acelerada injeção de capital estrangeiro e tecnologia, engordando as reservas internacionais, e ainda a larga mão de obra disponível, a China vem se tornando mais um gigante industrial. Sua economia cresceu mais que nove porcento em 2003, e se espera que se torne a terceira maior do mundo em 2015.
As vendas do setor automotivo vem crescendo a uma taxa incrível; 2 milhões de novos carros foram vendidos em 2003, com crescimento de 75% em relação ao ano anterior. A demanda por eletricidade tem excedido a oferta em muitas das áreas industriais, levando a apagões e o conseqüente crescimento do mercado de geradores a diesel. Como conseqüência, a demanda pelo petróleo subiu para 5.5 mb/d em 2003, ultrapassando o Japão para se tornar o segundo maior consumidor mundial, atrás somente dos EUA.
A China não é somente uma economia emergente. Com o colapso da União Soviética, somente a China tem potencial de se rivalizar com os EUA em termos de potência militar. Com sua crescente capacidade tecnológica, enorme população, e rápido crescimento industrial, China eventualmente poderá estabelecer um poder militar no leste da Ásia e ameaçar o domínio americano naquela região, se ela se decidir a agir desta maneira.
Entretanto, China tem um calcanhar de Aquiles: ela não tem grandes reservas de petróleo necessárias para impulsionar sua economia crescente. Em 2003, China importou 35% de suas necessidades de petróleo; pelo ano de 2025, a sua demanda total esperada será do dobro da atual e ela deverá encontrar a necessidade de importar cerca de 70% de seu consumo.
Assim como os EUA, a China olha com interesse o Oriente Médio para seus suprimentos futuros, enquanto vasculha o mundo da África à Rússia passando por Caspian Basin.

Para as Nações dependentes do óleo, todos os caminhos as levam de volta ao Golfo Pérsico.

O Financial Times em um artigo diz: “ Os executivos do Petróleo aceitam o fato de que poucas grandes descobertas deverão acontecer, e que o futuro será crescentemente ditado pelos líderes do Oriente Médio que mantêm sob estreito domínio as reservas ainda por explorar."

Enquanto isso as reservas antes abundantes no EUA, Alaska e Mar do Norte já mostram sinais da idade. Aproximadamente 65% ( e subindo) das reservas restantes mundiais são controladas pelos governos do Golfo Pérsico, e destes, a Arábia Saudita é a campeã com muita vantagem.


Não somente a maior reserva mas a mais barata para explorar.

Baseada nas projeções de crescimento da demanda de óleo dentro de EUA como no restante do mundo, a “Energy Information Agency (EIA)” projeta uma produção do Golfo Pérsico em 2025 como o dobro da atual, assim como as compras dos EUA. A participação da OPEC saltará de 44% em 2001 para 60% ou mais em 2025.
Este grande aumento da produção não será possível sem um investimento significativo na estrutura produtiva da região. Desde os anos 70 quando a produção na região foi nacionalizada, a maioria dos governos decidiram a não investir na expansão da capacidade produtora, gastando a receita proveniente da venda do óleo em armamentos, serviços públicos, programas sociais ou enriquecimentos isolados. A conseqüência disto é que a produção somente será possível com a infusão de capital estrangeiro e expertise proveniente dos EUA, Rússia, Europa e China através de suas companhias.

E sera que os regimes políticos do Golfo e da OPEC irão cooperar?


Eles têm seus próprios interesses a perseguir, que podem não coincidir com os interesses das nações importadoras. O interesse deles é manter um suprimento apertado em conjunção com um preço maximizado. De forma alguma eles têm interesse em expandir a produção muito rapidamente.
E o que eles farão com a receita proveniente do comércio do óleo? Muitos são sociedades fechadas altamente controladas. Muitos aproveitam para adquirir armas para uso em conflitos com vizinhos. Todos discordam da política americana de suporte a Israel em investidas deste país na palestina e Líbano e, claro, da invasão do Iraque.

O que o povo árabe comenta nas ruas?


O sentimento popular na região vem se tornando mais e mais contrário aos regimes impostos pelo dinheiro americano ou pelo oeste de maneira geral. Enquanto isso, grupos extremistas como o Al Qaeda tem encontrado terreno fértil para o recrutamento diante do descontentamento gerado por este estado de coisas. Não se pode retirar a razão deles, como declarou Noam Chomsky:

“It might be an interesting research project to see how closely the propaganda of Russia, Nazi Germany, and other aggressors and occupiers matched the standards of today’s liberal press and commentators..”

“ A comparação é, claro, injusta”, continua ele. “Diferentemente dos invasores alemães e russos, as forças americanas estão no Iraque por direito, em princípio, demasiado óbvio mesmo para enunciar, que os EUA são os donos do mundo. Assim, pela lógica elementar, os EUA não podem invadir e ocupar outro país. Eles só podem defender e libertar outros. Predecessores, mesmo os mais monstruosos, que ocuparam pela força, têm comumente se utilizado do mesmo princípio, mas de novo a diferença óbvia: eles estavam errados e os EUA estão certos. QED”