quinta-feira, 20 de março de 2008

A Abertura dos Portos (ou das pernas)


Manchetes do dia

“As ações de empresas ligadas à exportação de commodities voltaram a operar em terreno negativo nesta quinta-feira, e carregam consigo a Bovespa.”

Ou

“A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) abriu nesta quinta-feira em baixa, ainda refletindo o mau humor de ontem causado pela queda generalizada dos preços das commodities metálicas e agrícolas --em especial do petróleo e do minério de ferro.”

E ainda

“Assustados com os problemas no sistema financeiro americano, os investidores estrangeiros tiraram R$ 2,109 bilhões da Bolsa de Valores de São Paulo”

Embora a moeda estrangeira tenha tido uma pequena recuperação com o vôo de dois bilhões de dólares, a situação do setor exportador nacional se complica de vez. O que fazemos agora, no final das contas, é tomar dinheiro a 11,25% e emprestar a 2,25%, com o prejuízo sendo pago com nossas riquezas, um dos piores negócios desde 1703.

Sob o título sugestivo “ A Penetração Britânica no Brasil” achei a matéria abaixo como resultado da minha busca dos piores negócios até hoje envolvendo o nome tupiniquim:

O mais importante tratado, pelo seu caráter lesivo a Portugal, foi o de Methuen, assinado em 1703, em pleno início da mineração no Brasil. O tratado possuía apenas dois artigos:


Artigo 1º. Sua Sagrada Majestade El Rei de Portugal promete, tanto em seu próprio Nome, como no de Seus Sucessores, admitir para sempre de aqui em diante, no Reino de Portugal, os panos de lã e mais fábricas de lanifício de Inglaterra, como era costume até o tempo em que foram proibidas pelas leis, não obstante qualquer condição em contrário.


Artigo 2º. E estipulado que Sua Sagrada e Real Majestade Britânica, em Seu Próprio Nome, e no de Seus Sucessores, será obrigada para sempre, de aqui em diante, de admitir na Grã Bretanha os vinhos do produto de Portugal, de sorte que em tempo algum (haja paz ou guerra entre os Reinos de Inglaterra e de França) não se poderá exigir direitos de Alfândega nestes vinhos, ou debaixo de qualquer outro título direta ou indiretamente, ou sejam transportados para Inglaterra em pipas, tonéis ou qualquer outra vasilha que seja, mais que o que se costuma pedir para igual quantidade ou medida de vinho de França, diminuindo ou abatendo terça parte do direito de costume.


Continua a matéria

“Tratado de Methuen estipulou, em síntese, a compra do vinho português em troca de tecidos ingleses. Esse acordo bastante simples foi, entretanto, altamente nocivo para Portugal porque, em primeiro lugar, importava-se mais tecido do que se exportava vinho, tanto em termos de quantidade como em valor;

em segundo, as manufaturas portuguesas foram eliminadas pela concorrência inglesa.

Por último, dado o desequilíbrio do comércio com a Inglaterra, a diferença foi paga pelo ouro brasileiro.

Desse modo, o Tratado de Methuen abriu um importante canal para a transferência da riqueza produzida no Brasil para a Inglaterra.”

Cerca de cem anos mais tarde, a coisa ao invés de melhorar foi piorando, quando chegamos por volta de 1810, época da abertura dos portos:

“Com tempo, a dependência de Portugal se aprofundou e essa foi a razão por que D. João finalmente se submeteu às exigências inglesas e se transferiu para o Brasil.

Em 1810, quando a Corte já se encontrava no Rio de Janeiro, a Inglaterra fez D. João assinar três tratados que a favorecia.

Um deles era o de Amizade e Aliança o outro de Comércio e Navegação e um último que veio regulamentar as relações postais entre os dois reinos.

Do conjunto dos dispositivos, destacavam­-se alguns artigos que feriam frontalmente os interesses econômicos de Portugal e do Brasil, além da humilhação política que outros itens impuseram à soberania lusitana.”

“Outro aspecto escandaloso dos tratados foi o direito assegurado à Inglaterra de colocar suas mercadorias no Brasil mediante a taxa de 15% ad valorem, enquanto os produtos portugueses pagavam 16%, isto é, 1 % a mais que os ingleses!

Os demais países estavam submetidos à taxação de 24% em nossas alfândegas.”

A abertura dos portos alterou profundamente os hábitos de consumo no Brasil, com a chegada de grande quantidade de mercadorias, sobretudo de origem inglesa.

Um viajante inglês, John Mawe, assim descreveu o Rio dessa época:


"O mercado ficou inteiramente abarrotado; tão grande e inesperado foi o fluxo de manufaturas inglesas no Rio, logo em seguida à chegada do Príncipe Regente, que os aluguéis das casas para armazená-las elevaram-se vertiginosamente. A baía estava coalhada de navios, e em breve a alfândega transbordou com o volume das mercadorias. Montes de ferragens e pregos, peixe salgado, montanhas de queijos, chapéus, caixas de vidro, cerâmica, cordoalha, cerveja engarrafada em barris, tintas, gomas, resinas, alcatrão etc., achavam se expostos não somente ao sol e á chuva, mas à depredação geral; (...) espartilhos, caixões mortuários, selas e mesmo patins para gelo abarrotavam o mercado, no qual não pode­riam ser vendidos e para o qual nunca deveriam ter sido enviados."

Como diz aquela canção, nada mudou.

Se eu tivesse o talento do desenho, eu faria a seguinte charge:

Um grande navio com a bandeira americana afundando, já se encontrando semi submerso como o Titanic. Uma pequena embarcação com a bandeira do Brasil nas proximidades recolhe grande quantidade de náufragos, cada um com seu cofrinho. Já pra lá de super-lotada, na verdade, começando adernar, o capitão Meireles manda o imediato Luis a jogar alguns tripulantes nacionais na água para abrir mais espaço....

terça-feira, 18 de março de 2008

A Nau dos Tolos


Considero a marca recorde do IBOVESPA um marco insólito.

Não que seja inexplicável.

No Titanic, quando este começou a afundar todos correram para a popa, mas acabaram afundando também, só que por último.

O sistema econômico mundial, a exemplo do Titanic, mostra sinais de que está fazendo água pela proa com a ameaça de estagflação da economia americana e inflação na China. Os investidores correm para as commodities no mercado futuro (dentre elas o petróleo) e para nichos de certa estabilidade, como se verifica hoje no Brasil, para salvaguarda de seus papeis.

O petróleo está a apenas US $ 99,99. Isto não quer dizer que esteja barato e que a desvalorização do dolar tenha provocado um aumento da demanda, como incrivelmente chegou a noticiar a Folha On Line em 27.02.2008.

Mesmo com toda a inflação americana o óleo está caríssimo.

Para a compreensão do que está hoje acontecendo no mundo, recorramos à teorização feita por André Sautou em seu artigo entitulado “The Smart Creature and the Nasty Trick” , publicado em frances em outubro de 2007 por Les Editions de l’Or Noir :


“The exchange mechanisms between the system’s components rest upon the existence of a financial bubble kept under pressure as long as expanding markets allow investors to make profits re-injected into the bubbleWhen the world economic growth reverses into decline, the bubble pressure will vanish, the exchange mechanisms will crumble down and the whole system will collapse”.


Ou seja, os mecanismos de troca entre os componentes do sistema têm como base a existência de uma bolha financeira mantida sob pressão ao tempo em que os mercados em expansão proporcionam lucros aos investidores que os reinjetam na bolha.

Quando ocorrer retração ao invés de crescimento, a pressão desaparecerá, os mecanismos de troca espatifarão e todo o sistema virá abaixo.

Bom lembrar que, como aconteceu no famoso naufrágio, não haverá bote para todos.

Com o oleo se aproximando dos US$ 104 por barril, outro marco é atingido.


É que no início de 1980, com a revolução iraniana, o petróleo atingiu US$ 38 por barril que, em valores atuais, daria alguma coisa entre $93 e $ 104, dependendo do critério utilizado para o cálculo da inflação no período.Com a queda da moeda americana, as commodities se tornaram um refúgio para o capital de grandes fundos de investimento, como opinou Nauman Barakat, do Macquaire Futures, a “trading” do banco de investimento Macquarie.


A tendência da moeda americana é de cair ainda mais com o corte na taxa básica de juros pelo Federal Reserve, esperada por todo o mercado cortes de até 2% ao longo dos próximos meses.Espera-se, ainda que em meados de maio a gasolina nos EUA cheguem a US$ 4 por galão (atualmente em US$ 3,15 + - )US 4 por galão representa aproximadamente R$ 1,78 por litro.


Vejam como é cara a gasolina brasileira.


No rastro de outra informação fantástica divulgada em 27/2 pela Folha, de que o Brasil poderá responder por até 6% da exportação de petróleo no mundo, pode ser que o IBOVESPA inche ainda mais.

Não tenho nada contra os otimistas e sonhadores, mas o trabalho, de autoria creditada ao Professor Adilson de Oliveira não tem consistência histórica.

Há quase dez anos que a Petrobrás “briga” com o campo “gigante” de Roncador, lamina d’água de 1.850 metros e até agora o que consegue retirar é cerca de 80.000 barris diários.

Daí dizer que pelo ano de 2025, o campo de Tupi, com lamina d’água de 3.000 metros produzirá algo como 4 milhões de barris diários é no mínimo assombroso.


Definitivamente inacreditável.


Mais fácil que, a exemplo da P-36, tudo vá para o fundo.

Os americanos mergulham nós corremos o risco de nos afogar em cachaça.


Já faz tempo que economia foi deposta do status de ciência, a não ser da ciência do chute, mas se examinarmos a história, esta dirá que atravessamos um momento peculiar.

Hoje, ao contrário de aproximadamente 25 anos atrás quando o preço do petróleo chegou aos níveis atuais, a nossa dependência do óleo importado era enorme e qualquer desestabilização da economia americana era desastrosa para a nossa.


Hoje a coisa mudou.


O país conseguiu estabilizar a moeda e gera aproximadamente a energia que consome.


Esta imagem de estabilidade vem sendo fortalecida no cenário internacional com o passar dos anos, atraindo o capital externo, que junto com a política de juros elevados, vem desembarcando aos turbilhões. Tanto que chegou a virar nossa posição de devedor para credor.

Ou seja, se antes estávamos como pedintes, hoje estamos quase que nos afogando.

Passamos de um extremo ao outro, em grande parte decorrente do mergulho da economia americana. A impressão que se tem é que alguém esqueceu a torneira aberta ou não tiraram a placa “Vende-se” e, por isso, continuam comprando o mesmo país várias e várias vezes.Economia, ciência ou não, é difícil.

E a vida ensina que quando não sabemos, melhor usar o bom senso, e o bom senso é permanecer longe de limites.
Por incrível que pareça, o Banco Central ainda cogitou, na última reunião do Copom, no aumento da taxa básica de juros.

A justificativa exposta foi que "um ajuste da taxa básica de juros contribuiria para reforçar a ancoragem das expectativas, não apenas para 2008, mas também no médio prazo, e para reduzir o descompasso entre as trajetórias da demanda e oferta agregadas", mas "que, neste momento, o balanço dos riscos para a trajetória prospectiva central da inflação justificaria a manutenção da taxa básica em seu patamar atual".


Neste economês ridículo, o que eles devem ter querido dizer, se é que eles queriam dizer alguma coisa, é que existe maior demanda que oferta(isto é lógico porque estão arrebentando nosso setor produtivo, já que todos os nossos produtos estão sendo substituídos por similares chineses muito mais baratos com a desvalorização cambial), mas que não achavam que a curva real iria se desviar muito da prevista. Enquanto isso o país aparece bem destacado, isolado na primeira colocação, dos juros mais exorbitantes do planeta, o paraíso para a prática da usura.Mas o assunto está longe de ser consenso mesmo dentro do próprio governo, a começar pelo Guido Mantega, declaradamente a favor da redução da taxa de juros. O ministro Miguel Jorge, comentando a ata da última reunião do Copom declarou: "Do ponto de vista do Ministério do Desenvolvimento, nós não corremos o risco de inflação de demanda. Acreditamos que a indústria é capaz de atender a demanda atual, portanto, não há risco de inflação" e continua "Com cenário macroeconômico estável, cenário externo confortável e crescimento sustentável, acho que há um certo exagero nesta colocação [na ata do Copom] dos meus amigos do Banco Central". Também o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) reconheceu que as taxas de juros no país estão elevadas, mas disse que há chances de serem reduzidas.


"Nós temos condições de reduzir as taxas de juros. Estamos caminhando para isso", disse.


Como em ocasiões anteriores, entidades da indústria e do comércio criticaram a decisão. Enquanto a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) defendeu a aprovação da reforma tributária como meio de retomar os cortes, a CNI argumentou que a "queda dos juros é crucial para reverter valorização do real".


Para o comércio, a manutenção da Selic é "inexplicável" e inibe o crescimento.


Talvez nem seja inexplicável como possa parecer, a Força Sindical em sua nota sugere uma explicação:

"Os trabalhadores estão indignados e decepcionados com a decisão do Copom. Os integrantes do Banco Central beijam as mãos dos especuladores e viram as costas para os trabalhadores".


Mas deveria ser diferente?

O Copom justificaria um eventual aumento da taxa de juros para "reduzir o descompasso entre as trajetórias da demanda e oferta agregadas", como está exposto na ata.


Deduz-se, diante do quadro, que o referido "descompasso" diz respeito a demanda maior que a oferta. Ora, todo o mundo sabe que maior pressão de demanda provoca aumento dos preços.


Mas o acerto não necessita ser feito pelo lado da demanda, inibindo-a via aumento da taxa de juros, mas como pode ser feita, também, pelo lado da oferta estimulando a produção via diminuição da taxa de juros.

Uma corrente significativa entre os estudiosos é que o atual patamar praticado pelo Brasil é tão elevado que se encontra em território "neutro" como mecanismo regulador ( a curva é assíntota aos eixos, significando que acima de determinado valor pouco efeito decorre de sua variação, como tambem abaixo de um valor mínimo).

No início de 80 os EUA praticaram uma taxa de juros próximo ao nosso patamar atual, rapidamente os baixaram (creio que não chegou a durar tres anos) , por constatar, creio, seu parco efeito.
Por outro lado, o Brasil vem utilizando altas taxas de juros com o intuito de atrair investimentos estrangeiros. O valor foi fixado na estratosfera, mas devido a instabilidade econômica do país, poucos investidores se predispunham ao risco ( quando sinaliza altas taxas tambem se sinaliza altos riscos).

A situação hoje é outra.

O Brasil tem energia e está estável, sendo assunto nos períodicos internacionais com certa frequencia ultimamente.

Tal situação aliada ás taxas de juros vem turbinando de forma impressionante a entrada de dinheiro estrangeiro no país. Dentro dos fundamentos, a maior oferta da moeda estrangeira tem jogado a taxa de cambio para baixo, valorizando o real.

Se as autoridades econômicas não agirem com o intuito de procurar o novo equilíbrio desejável ( o governo tomou algumas medidas, mas que ainda não chegaram a animar os analistas), o nosso setor produtivo destinado a exportação (exceto commodities) entrará em colapso dentro de alguns meses, seguido pelo setor produtivo interno pela invasão de produtos importados a preços irrisórios.


Os preços da commodities já sofreram reajuste devendo ser estudadas à parte.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

LIMITES




Para tudo existe um limite.
Os limites só aparecem no futuro, quando já é passado, quando já é história, como um simples registro, um rastro, vestígios.

Estão aquém dos nossos poderes sensoriais, não fazem parte do nosso agora, não podem ser sentidos nem vistos a olho nu.
Mas existem.

Sentam-se à mesa do café, a cada manhã, nos fazendo companhia em um mundo paralelo.
O mesmo mundo em outra época.
O mundo nos jornais.
Diversos limites ficam lá registrados, os de outros, os de coisas, mas nunca os nossos.
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De acordo com James Howard Kunstler, e eu estou inclinado a concordar com ele, a implosão da “bolha imobiliária” está amplamente mal-entendida.
Não representa apenas o colapso do mercado de uma espécie de commodity, sim o fim de um sistema urbano, o modo de vida que representa, e de uma inteira economia a ele conectado.
É o craqueamento de um sistema em que os EUA tem investido grande parte de sua riqueza desde 1950.
Parece trágico que os investimentos desastrosos somente se aceleraram à medida que o sistema inteiro vem abaixo, mas parece ser uma lei natural que as ondas só elevam suas cristas quando prestes a quebrar.
É o fim do “american way of life” baseada na indústria automobilística, construção das “highways”, do petróleo farto e barato, que o mundo inteiro se ocupou em copiar.
Agora, paciência.
O pior, continua Kunstler, ao invés de iniciar o duro processo do recomeço para um novo estilo de vida, empreenderemos uma campanha para sustentar o insustentável estilo de vida atual a qualquer custo.
O colunista da Fortune, Stanley Bing, escreveu que Bush foi pedir misericórdia no deserto. Bush falou ao rei que o óleo está muito caro e que está sendo difícil para a economia americana.
Pediu para que a OPEC aumente a produção, fundamentando que se a economia de um grande comprador fosse abalada eles poderiam ter suas vendas diminuídas e também serem afetados de alguma forma.
Uma lógica pueril.
Como Bing disse, é um modelo para atitude de todos nós. Quando algum produto te parecer caro, não compre, simples, e assim tudo se resolve.
Se a despeito da enorme crise de energia que ameaça a se abater pelo mundo, alguém ainda ousa a se aventurar na Bovespa, este mercado insano, pelo menos que evite as grandes energívoras, como as relacionadas com a indústria do alumínio e do aço, transportes aéreos e por aí vai, e boa sorte.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

FLIP-FLOP


"I've never seen such a flip-flop in an environmental treaty context ever."
(Bill Hare, Greenpeace, com referência ao comportamento dos EUA em Bali)

Os americanos quando falam em flip-flop, geralmente estão se referindo às sandálias de dedo do tipo havaianas.

Mas não foi o caso.

O que os americanos fizeram em Bali, ali representados por Paula Dobriansky, foram se manter isolados, não assumindo qualquer compromisso e até obstruindo de certa forma as negociações até que o Secretário-Geral das Nações Unidas disse, antes de se retirar para o Timor-Leste, que a espécie humana poderia desaparecer da face da Terra em função das mudanças climáticas.
Dizem, que Paula Dobriansky, após o fato e um suspiro profundo, declarou: “juntamo-nos a um consenso”.

Armado o circo, no centro do picadeiro EUA chamam Japão e Canadá como aliados, enrolam as negociações para 2008, no Havaí, onde será apresentado o projeto de protocolo para ser aprovado em 2009, em Copenhague, Dinamarca, em substituição ao de Kyoto que perde a validade em 2012.

Na teatral solução, foi reservado à Europa o papel de salvadora do mundo. Falaram Brown, a Merkel e outros líderes de países europeus pedindo gratidão internacional.

Um excelente presente de Natal e Ano Novo.

“Nenhum dos panegiristas mencionou as dezenas de milhões de pessoas pobres que continuam a morrer de doenças e fome cada ano, devido às complexas realidades atuais, como se vivêssemos no melhor dos mundos” , observou Fidel Castro.

O Grupo dos 77, que abrange 132 países que lutam por se desenvolver, tinha conseguido o consenso para demandarem dos países industrializados uma redução dos gases que originam as mudanças climáticas para o ano 2020, de 20 para 40% abaixo do nível atingido em 1990, e de 60 para 70% no ano 2050. Além disso, demandavam a consignação de fundos suficientes para a transferência de tecnologia ao Terceiro Mundo.

No lugar das metas e compromissos, vazio e decepção para os ambientalistas do mundo inteiro.

A desculpa para a manobra americana foi que os países em desenvolvimento tinham que participar no corte de emissões, embora de forma diferenciada, e não pelos desenvolvidos somente, e que Bali deve ser tomado como um “critico primeiro passo” para a realização de um acordo mais amplo.

“Os países em desenvolvimento têm que ter um tratamento diferenciado de acordo com o respectivo tamanho de suas economias e utilização de energia”, disseram, e “qualquer meta em relação ao clima tem que levar em conta o direito legítimo das maiores nações em desenvolvimento de continuar crescendo em bases sustentáveis e com acesso as fontes seguras de energia”, finalizaram.

Com isso, foi retirado do texto o compromisso das nações industrializadas européias de reduzir as emissões em 25-40% pelo ano de 2020.

No lugar, “serão necessários cortes profundos nas emissões globais com vistas ao fim maior” de evitar perigosas alterações climáticas.

Como naquela estória de colocar a vaca dentro de casa e depois tirar a vaca para fora e sentir certa sensação de alívio, os EUA enrolam, e o mundo perde mais dois preciosos anos.

Isto foi o que Bill Hare quis dizer com o flip-flop.

Enquanto isso, exatamente na mesma data, 15 de dezembro, Bush conseguia a aprovação pelo Senado, da verba de 696 bilhões de dólares (quase um PIB brasileiro) para o orçamento militar de 2008, sendo 189 bilhões a serem gastos nas guerras do Afeganistão e Iraque.

Ao contrário de Niemeyer, Bush permanecerá incoerente e inconseqüente até o final.

O governo brasileiro também se furta a imitar o comportamento do gênio da arquitetura, permanecendo incoerente da mesma forma que os americanos.

A posição do Itamaraty era de não aceitar metas internacionais de redução de emissões de gases causadores do aquecimento global para países em desenvolvimento, como já tinha se pronunciado o subsecretário de assuntos políticos do Ministério de Relações Exteriores, Everton Vieira Vargas.

O diplomata tinha rejeitado a proposta do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) de fixar em 20% a redução de emissões dos gases-estufa até 2050 pelos países em desenvolvimento.

"É uma visão injusta e míope querer comparar responsabilidades da Índia e da China nas emissões com as dos EUA e da Europa", disse. Ele afirmou que, embora seja um dos maiores poluidores do mundo, a China não aumentou suas emissões considerando o número de habitantes.

Foi com base em posições similares que os EUA conseguiram levar a discussão para o Havaí, e forçar os emergentes a fazerem a sua parte.

A discussão assumiu um aspecto pueril e primitivo, do tipo: se os desenvolvidos conseguiram desenvolvimento as custas do ambiente por que não podemos nós também?

A febre da incoerência atingiu os nossos políticos provavelmente contaminados pelo descaso americano.

No Brasil, poucos estudos têm sido efetuados para que se consiga avaliar a extensão dos danos de um aumento de temperatura teria sobre nossa economia e bem estar.

No entanto, o Programa de Energia Transparente do Instituto Acende Brasil apresentou um estudo datado de outubro/2007 onde mostra claramente a progressiva diminuição da energia armazenada total ao longo dos anos na forma de recursos hídricos ou um esvaziamento gradual do sistema, projetando para outubro de 2011 cerca de 8% a menos de água nos reservatórios das hidrelétricas.

É bom lembrar que as propriedades físico-quimicas da água permanecerão inalteradas. Maior temperatura implica em menos quantidade do elemento no estado sólido e líquido e maior em estado gasoso.

Então, mantida a tendência, ameaças de apagões, como os verificados em 2001, se tornarão mais freqüentes até se tornarem constantes, obrigando a queima de mais gás nas termoelétricas e alimentando ainda mais o aquecimento global, se não forem tomadas medidas de contenção em outras áreas de consumo de combustíveis fósseis.

O pior, no entanto, é o desmatamento das florestas tropicais, chamadas em inglês de “rain forests”.

O país continua desmatando, de certa maneira incentiva a destruição já que permite a exportação de madeira e móveis com isenção de impostos.

A floresta amazônica retém a água necessária para a manutenção do potencial hídrico daquela região, onde o Brasil deposita suas maiores pretensões para a geração de energia elétrica no futuro próximo.


Estudos internacionais ainda mostram que a Amazônia poderá virar lixo se a temperatura média daquela região subir mais que 3 graus centígrados. A água se evaporará depressa demais matando as árvores que, em decomposição, liberarão o metano, gás quatro vezes mais poderoso em armazenar calor que dióxido de carbono. Toda a região pode se transformar em um deserto.

O país continua permitindo as queimadas, colocando-o entre os maiores poluidores mundiais e anulando quase que totalmente os ganhos com o uso dos bio-combustíveis.

Assim, quem sabe, ano que vem no Havaí teremos o evento patrocinado pelas sandálias havaianas.

Havaianas, vocês sabem, todo mundo usa.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A Arca


Excelente a charge de Clayton que saiu publicada em O Povo (CE) em 21-11-2007.


Não resisti em retocá-la.
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Em meio a um cenário internacional conturbado, a queda da CPMF ajuda a jogar a BOVESPA para baixo.
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De acordo com o ex-dirigente do banco central americano, o Federal Reserve, Alan Greenspan, as chances dos EUA entrarem em uma recessão aumentaram sensivelmente.
Greenspan, que esteve no cargo por 18 anos e meio, até o início de 2006, expôs suas considerações sobre a economia em entrevista ao “NPR New’s” na última quinta feira 13/12.

A crise imobiliária e uma Wall Street turbulenta ameaçam a saúde da economia americana. O crescimento no último trimestre de 2007 deverá sofrer uma desaceleração para 1,5% ou menos.
As observações de Greenspan acontecem dias depois que o Federal Reserve, agora sob a direção de Bem Bernanke, cortou a taxa básica de juros em mais 0.25 pontos percentuais na tentativa de salvar a economia dos efeitos das recentes crises.

O corte, dessa vez, não provocou o efeito esperado, o mercado esperava um corte maior. Assim, o índice Down Jones subiu antecipando o corte, mas despencou logo depois diante da efetivação de apenas 0,25%.

Para complicar, o índice de preços por atacado daquele país, database novembro, deu seu maior salto em 34 anos, fornecendo uma leitura de inflação muito mais alta do que a prevista, tendo como grande vilão o alto custo da energia.

O chamado Índice de Preços do Produtor subiu em novembro 3,2% , contra um aumento de apenas 0,1% em outubro.

A onda de baixa atinge o mundo inteiro. De acordo com a Reuters, as bolsas asiáticas aprofundaram suas perdas nesta segunda-feira (17/12) fechando em baixa não vista há três meses em meio a receios de que a aceleração da inflação nos EUA possa impedir que o Federal Reserve continue cortando a taxa básica de juros.

“Inflação mais alta nos EUA reduzirá o ritmo de corte da taxa de juros. É por causa disso que os investidores estão chateados”, disse Francis Lun, gerente geral da Fulbright Securitização em Hong Kong.

Investidores também estão preocupados com um arrocho maior na China enquanto o governo procura controlar a inflação, a maior em dez anos. A economia Chinesa vem crescendo a um incrível passo de mais de 11% em medições realizadas no último semestre.

A questão agora é saber até onde as bolsas podem cair. Analistas em todo o mundo têm em um mais ou menos consenso que as bolsas estão supervalorizadas em razão dos últimos ralis de euforia, tendo o presidente do Banco Central do Brasil alertado para o fato algumas vezes.

As esperanças agora pousam na tecnologia. Os EUA anunciam que irão mexer nas normas reguladoras de eficiência para que veículos mais econômicos sejam desenvolvidos, e assim criar espaço para a indústria automotiva crescer em tempos de altos preços do petróleo, como ocorreu na década de 80.




terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Outras Possibilidades


Em julho de 2006 os campos mundiais bombearam petróleo a uma taxa de 85,5 milhões de barris diários. Desde então, eles não chegaram nem perto disso, mesmo com os preços variando de US$ 75 a US$ 98 por barril. Isto levanta a significativa questão: Estaria a produção indo morro abaixo?


Não é como se ninguém tivesse predito isto. Os verdadeiros crentes no que é chamado “Pico do Petróleo” reúne um grupo de sobreviventes, os avessos ao capitalismo, alguns poucos investidores bilionários e vários respeitáveis geologistas, há muito, esperam por isto no decorrer desta década.


No ambiente das indústrias do óleo e das agências governamentais que trabalham com isto, tal conversa é tida como prematura. Tem havido quedas de produção em tempos passados, acima de tudo, mesmo que acorridas em tempos de crise. Na maioria dos cenários criados por eles, a produção mundial começará a crescer de nove em breve, atingindo um pico de mais de 110 milhões de barris em 2030 ou arredores.


Isto em si, já é mais que alarmante. Mesmo os mais otimistas acreditam que temos menos de três décadas para início de escassez? Mas as conferências da industria neste último quadrimestre têm sido bem mais sombrias. Os executivos da ConocoPhillips e da gigante francesa Total, ambos declararam que eles não vêem a produção atingir 100 milhões de barris diários em qualquer época. A maior autoridade no assunto que é a International Energy Agency dos EUA já alertou que “novos incrementos na capacidade produtiva não estão em consonância com o declínio de produção dos atuais campos e do aumento da demanda projetada”.

Isto não é o mesmo que dizer que a produção já atingiu seu pico e está para declinar rapidamente – visão dos verdadeiros adeptos à teoria do pico. Na teoria do pico “lite”, como alguns a chamam, o cerne da questão não seria tanto geológica quanto política, técnica, financeira ou mesmo relacionada a recursos humanos. Todos estes fatores atrasam a chegada do óleo no mercado, significando que a produção não atingiria um pico mas um platô. Mas com a crescente demanda mundial, principalmente as verificadas na China e na Índia, mesmo a ocorrência de um platô resultaria em suprimento precário.

Não que seja que o óleo esteja acabando. Existem reservas massivas disponíveis como nas areias betuminosas canadenses, Xisto do Colorado, óleo extra-pesado da Venezuela e outras reservas não convencionais. O problema é que este óleo é difícil de extrair e de ainda mais difícil refino, e não se poderá contar com a sua produção em escala mundial em tempo próximo. Quase todos concordam que a produção de petróleo convencional fora dos paises da OPEC já atingiram o pico ou em breve atingirão, uma realidade que mesmo as recentes descobertas de 8 bilhões de barris na costa do Brasil não serão capazes de contrabalançar o declínio de diversos campos em operação.
A questão principal é a OPEP, que representa as forças do óleo no Oriente Médio e outros poucos grandes exportadores, representando 41% da produção mundial de petróleo. Todo cenário otimista diz que esta fatia crescerá dramaticamente nas próximas décadas. Quer dizer, se as coisas se encaminharem bem, EUA assim como as demais nações importadoras se tornarão substancialmente mais dependentes da Arábia Saudita e seus vizinhos.

O quadro se torna sombrio. Em seu livro “Twilight in the Desert” de 2005, o banqueiro e investidor na área energética, Matt Simmons abriu um ainda vivo debate sobre quando a Arábia Saudita, o maior produtor da OPEP, poderia aumentar sua produção atual. Desde o lançamento do livro, a produção daquele país caiu de 9,6 milhões de barris diários para 8,6 milhões, a despeito dos preços ascendentes.

Matt Simmons é um adepto da teoria do pico, pertenceu ao governo americano como conselheiro de Bush para assuntos energéticos. Faz tempo que o assunto deixou de ser tratado pelos “apocalípticos” e passou a ser analisado pelos estrategistas.

Oficiais sauditas proclamaram na ocasião do encontro da OPEP realizado em Riyadh, em meados de novembro, que a produção pode ser aumentada a qualquer tempo. Mas isso levanta a impertinente questão: por que não aumentam?
A resposta dos lideres da OPEP é que os especuladores é que são culpados pelos altos preços e também o dolar em queda, nada a ver com baixa produção. Eles não estão simplesmente soltando fumaça. Lynn Westfall, economista chefe da refinaria Tesoro Corp., diz que existe mais óleo à venda do que o suficiente atualmente. A pressão nos preços, como ele explica, “provem de especulação no mercado financeiro de futuros.”

Se os membros da OPEP não são capazes de incrementar a produção , então será impossível continuar culpando os investidores pela alta nos preços. O que acontece então? “Se tivéssemos melhores informações, poderíamos dizer no encontro mundial da OPEP: “Senhores, não é culpa de ninguém, mas o que acontece é que chegamos no limite,” diz Simmons. “Teremos que adotar algumas práticas de preservação que são draconianas, ou faremos guerra um contra o outro.”

Entre os adeptos da teoria do pico, guerra e catástrofes econômicas são temas preferidos. Eles sustentam que óleo barato é o combustível essencial ao moderno capitalismo, que afundará sem ele. A maior esperança é que a inovação é que seja o combustível essencial ao capitalismo moderno e que os altos preços do óleo levarão a avanços rápidos na direção do desenvolvimento de combustíveis alternativos e preservação do petróleo restante. De outro modo, o início do final da era do óleo estaria bem á frente no cronograma.

A parte:


O último relatório do IEA, mês base outubro, exibe uma produção mundial média diária de petróleo de 86,43 milhões de barris ao dia, superando em quase 1 milhão de barris a maior antes registrada, 85.5 milhões em julho de 2006, como dito no início deste artigo. Ainda não representa evidência que a produção mundial tenha voltado a crescer, por se situar ainda na faixa dos desvios esperados quando se faz a distribuição estatística.
O gráfico acima mostra a evolução da produção do petróleo nos últimos 5 anos, dados da EIA (Energy Information Administration), americana, e da IEA (International Energy Agency) sediada em Paris.

Baseado em artigo de Justin Fox

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Subdesenvolvimento Humano


IDH do Brasil sobe para 0,8 e país entra para grupo de Alto Desenvolvimento Humano

A manchete acima e outras do tipo: “Brasil passa a ser considerado um país desenvolvido” disputavam espaço na banca em que passo sempre, junto à esquina, ponto fixo de dois mendigos e dos malabaristas infantis que se exibem para os veículos parados na sinaleira, no caminho para o Shopping Barra em Salvador.

Criado pelos economistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede a qualidade de vida por outros indicadores que não apenas o Produto Interno Bruto, saltou, no caso do Brasil, de 0,798 para 0,800, uma fantástica evolução a julgar pelas manchetes, mas a julgar pelos números, o país se arrasta. Corre até o risco de estar parado ou mesmo andando para trás, pois uma diferença de 2 milésimos na pontuação pode estar muito bem na margem de segurança dos cálculos.

Mas vai mesmo devagar, tendo conseguido a façanha de ultrapassar uma linda ilha do Caribe, Dominique, mas sendo ultrapassado pela Arábia Saudita e Albânia, perdendo terreno para Argentina, Chile e México.

Muito se fala sobre o problema educacional no Brasil. Ouvi outro dia a Globo dizer que o país não quer saber de educação, caso contrário, o candidato que tinha como plataforma a revolução do sistema educacional brasileiro não teria tido tão poucos votos (Cristovam Buarque).

A quem eles querem culpar com esse dito ninguém sabe, porque espaço quase nenhum recebeu o ex-petista na mídia. E quanto ao nível intelectual de nossos profissionais da imprensa, está estampado nas manchetes.


Assim, o mais provável é que soframos de ignorância generalizada.

O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007, que usa dados de 2005, teve como tema o aquecimento global e seu lançamento mundial foi feito em Brasília, com a presença de Lula.
Em um documento de quase 400 páginas o relatório diz que as nações mais ricas devem prover uma soma de 86 bilhões de dólares por ano a partir de 2015 para ajudar o mundo na adaptação ao aquecimento global e que se pretende estabilizar as emissões dos gases causadores do efeito estufa até 2015 e então começar a reduzir.
Sem o dinheiro, continuam, um mundo mais quente poderá reverter o desenvolvimento em países onde 2,6 bilhões de pessoas vivem com 2 dólares por dia ou menos.

Cientistas no mundo inteiro concordam que o planeta aqueceu em média 0,7 graus Celsius nos últimos 100 anos, trazendo a perspectiva de que teremos um século extremo em termos meteorológicos, subida do nível dos mares, grandes inundações, doenças e ataques às reservas naturais, à agricultura e à pesca.


De acordo com o desenvolvimento do problema, as conseqüências incluirão cenários de mulheres e meninas caminhando maiores distancias para pegar água em partes da África, e pessoas construindo abrigos em bambu pelas enchentes no delta do rio Ganges na Índia.

“Estes impactos... seguem ignorados nos mercados financeiros e na medição do produto interno bruto global (PIB),” diz o relatório.

“Mas a crescente exposição a afogamentos, a tempestades mais intensas, a inundações e stress ambiental vem barrando os esforços da comunidade mais carente em construir um mundo melhor para ela e sua prole.”

Por causa do aquecimento global, disse Olav Kjorven, Chefe do bureau para política de desenvolvimento do Programa de Desenvolvimento da ONU, mais 600 milhões de pessoas na região do sub-Saara na África, passarão fome por causa do colapso na agricultura, e um contingente extra de 400 milhões serão expostos à malária e outras doenças, e um extra de 200 milhões perderão moradia em inundações.

O painel do desenvolvimento diz que grande parte da responsabilidade está com as nações mais ricas, responsáveis por elevadas emissões de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa, principalmente pela queima do carvão e outros combustíveis fósseis.

“As nações do mundo que são as principais culpadas, se assim se pode falar, pela criação deste problema em primeiro lugar têm de agir firmemente para salvaguardar o futuro daqueles que não têm nada a ver com ele mas que são os mais vulneráveis,” disse Kjorven.

As nações desenvolvidas, até agora, falham em cumprir as metas estabelecidas sob o corrente tratado, o Protocolo de Kyoto, no corte da emissão dos gases estufa em 2012, diz o relatório.

França, Alemanha, Japão e Reino Unido estão falhando no que seria o corte de 20% das emissões em 2020.

O Canadá assinou o tratado sob o governo anterior, de legenda Liberal. Entretanto, os Conservadores sob a liderança do Primeiro Ministro Stephen Harper tem se distanciado paulatinamente do Protocolo.

Ed Marckey, dirigente do Select Committe on Energy Independence
and Global Warming, disse que o relatório a importância da "América se movendo com o objetivo de alcançar a meta de 80% de corte nas emissões em meados do século."

"Este relatório proporcionará aos líderes em Washington o imperativo moral de apoiar a ação no congresso e na Casa Branca," declarou o democrata de Massachussets

Na cerimônia em que este relatório vem para o conhecimento mundial, o presidente Lula convidou às nações ricas a fazer a parte delas.

" Em Bali nos iremos discutir seriamente o preço que as nações ricas deverão pagar de forma que as nações mais pobres possam preservar suas florestas," Lula disse. "Porque ninguém vai conseguir convencer uma pessoa pobre em lado nenhum que ele não pode derrubar uma árvore sem ter a garantia de trabalho e do que comer em troca."

Cientistas acreditam que a floresta age como uma enorme esponja na absorção dos gases, mas o desmatamento e as queimadas liberam toneladas de carbono na atmosfera a cada ano, fazendo do Brasil um dos lideres na emissão dos gases causadores do efeito estufa.

O relatório também sugeriu entre outras medidas, a redução das tarifas incidentes sobre o álcool brasileiro "poderiam gerar ganhos não somente para o Brasil, mas para a mitigação das mudanças climáticas."

Assim, nem sempre, para enveredar pelos caminhos da sabedoria a escolaridade é necessária. Às vezes pode ser até prejudicial.

O sistema de ensino está atrelado a uma estrutura que impele a humanidade por determinado caminho. Acontece que não há garantia que o atual caminho seja o mais adequado, ao contrário, a impressão que se tem é que nos desviamos em algum ponto no passado, e quanto mais tempo passa, maior a distancia que teremos que percorrer de volta ao ponto de desvio.