quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mary Lu


A ação coordenada dos bancos centrais em cortar a taxa básica de juros significa uma permissão para a entrada da inflação mundial a ser computada como custo para o controle da crise que tomou dimensões tsunamicas e ainda ameaça engolfar o mundo.

A despeito de todo o socorro, a monstruosa e pesada economia mundial vem perdendo velocidade como um navio que tenha desligado os motores. Todo o pânico que acomete os investidores é que o monstro pare (estagflação) ou mesmo ande para traz (recessão).

O que vem a seguir?

Menor consumo significa menor produção. Menor produção significa custo mais alto por unidade produzida, portanto, menos lucro. Menos lucro significa menos investimentos além da prática de preços mais altos pelas indústrias que queiram se manter no mercado.

Assim, os EUA tomam o mesmo caminho das crises anteriores que é a desvalorização de sua própria moeda, agora em consonância com a desvalorização das moedas de outras nações desenvolvidas, ou seja, vem aí uma outra onda de inflação mundial, na melhor das hipóteses.

No entanto, pode ser que a retração do consumo seja tão violenta que não se consiga evitar uma quebra generalizada. A falta de dinheiro no mercado (crise de liquidez) leve a uma continua desvalorização dos ativos, a deflação, e essa leve à máxima: “por que consumir hoje o que estará mais barato amanhã?”

Portanto, o momento é de cautela.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, lançou um alerta sobre possíveis "emergências bancárias" no mundo em desenvolvimento e crise nas balanças de pagamentos na medida em que a atual crise financeira avance. Já o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, pediu que os países da União Européia colaborem na busca de uma solução para a crise financeira e não adotem medidas unilaterais

E o nosso BC? Queimou largada e disparou na frente, só que para o lado errado.

É curiosa é a posição da autoridade monetária nacional diante destes últimos fatos. Aumentar a taxa de juros. significa colocar o país em recessão e, ainda, com uma inflação enfiada goela abaixo; deixar como está para ver como é que fica, é arriscar-se a ficar com a cara de perdido, como cachorro em procissão; cortar a taxa de juros é admitir que nunca deveria ter elevado e, assim, ficar com a cara de Mary Lu.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A CRISE FINANCEIRA AMERICANA


Como disse James Kunstler, parece que o furacão Ike passou realmente pela Wall Street e não pela pacata ilha de Gavelston no Texas. A segunda-feira (15/09/2008) em Manhattan amanheceu atolada em escombros do sistema bancário e até o presente momento não se tem idéia da extensão dos danos. O maior medo é que poderemos estar testemunhando uma situação clássica de “castelo de cartas” ou “efeito dominó” em que a morte do Lehman Brothers e Merrill Lynch poderia desencadear o colapso generalizado de um sistema que por muitos anos tem sido um dos pilares centrais da Wall Street.
Tudo começou, a exemplo dos furacões, a partir de movimentos simples em que o cidadão sem dinheiro para entrada, com comprovação de rendimentos do tipo, como dizem lá, “mickey mouse”, e pouco capaz de suportar mensalidades, foi beneficiado com financiamento a baixa taxa de juros para a aquisição da casa própria. Desconfia-se que os mutuários foram até mesmo laçados pelos intermediários (brokers) sedentos de comissões, que aliados ao capital disponível mais a ganância dos bancos comerciais turbinaram sobremaneira o processo.
A adoção do crédito frouxo era suportada pela premissa de que os imóveis sempre se valorizavam e assim poderiam ser refinanciados, em caso de inadimplência, rolando uma imensa bola.
Os assim chamados “créditos podres” migraram dos bancos comerciais para os bancos de investimento que, misturados a outros mais confiáveis, foram securitizados, graduados pelas agencias de investimento, segurados e vendidos a investidores ao redor do globo a que se prometia pagar a taxas proporcionais ao risco contra o pagamento dos mutuários. O que não se conseguiu graduação, o lixo do lixo, foi conservado e jogado no balanço de uma instituição em paraíso fiscal, camuflado sob o título de operações complexas. A instituição, no entanto, cuidava de remunerar a si mesma a altas taxas pela conservação desse lixo, lógico.
A coisa ia bem até que o número de execuções começou a gerar grandes quantidades de imóveis vazios e à venda, forçando o preço para patamares cada vez mais rasteiros ameaçando detonar um efeito dominó.
A intervenção do governo foi parodiada àquela piada polaca em que o alfaiate para aumentar o tamanho da túnica em quatro centímetros, corta essa medida nos ombros e a costura à barra e a coisa seguiu efervescente até rolar de barriga para cima, tal qual uma baleia arpoada, o primeiro banco gigante, o Bear Stearns. De efervescência a ebulição, a quebra de mais duas grandes instituições e o balançar da AIG, pode fornecer indícios de que a crise ainda está em expansão e pode estar ainda sendo minimizada pela retração do preço do petróleo, atribuído à retração da demanda, e a ajuda governamental.
Ou seja, está ruim mas ainda pode piorar.
Esta idéia parece ser compartilhada pelo FED. Afinal, o ganho de valor obtido pela moeda americana frente as principais moedas, talvez justificaria outro corte na taxa básica de juros, mas o banco central americano preferiu deixar como está quando se reuniu na terça feira, dia 16/09.
Não existe possibilidade de estabilização da economia sem a diminuição de volatilidade dos preços da energia, assim, com a chegada do inverno no hemisfério norte, em novembro, a crise promete esquentar ainda mais com o aquecimento da demanda pelo óleo. Os americanos podem estar dirigindo menos mas não vão poder se adaptar tão rapidamente à temperatura agradável aos pingüins.
Ao que parece, o prato principal para a festa de entrega deste governo ao próximo, deverá ser “recession au poivre”.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Agora vamos a Paris


O presidente do Banco Central de Israel, Stanley Fischer, disse que a velha piada de que o Brasil é o país do futuro está ultrapassada. Segundo ele, o Brasil já é um país do presente. Fiquei preocupado com este dito porque sempre depositei fé neste país e por isso nunca pude entender a piada. Fiquei ainda mais inquieto quando vislumbrei a possibilidade da eminente autoridade estar remodelando a piada para o presente, podendo surgir outra, em tempo futuro, mas nem tão futuro, dizer que o Brasil é um país do passado.

A idéia do presente se fixou em minha mente depois que li Delfin Netto dizer que “o Brasil continua sendo o último peru com farofa disponível fora do Dia de Ação de Graças” e, junto com ela, a exigüidade deste momento de glória presente e o tétrico futuro que se vislumbra com a deterioração de nossas contas externas.

Com toda esta catástrofe que vive os investidores brasileiros na Bovespa ainda é lucro para os investidores estrangeiros. Na última semana de julho de 2008, o jornal, The Economist, mostrou que mesmo depois dos ajustes vividos pela Bovespa, ela ainda rendia, quando comparado com a última semana de 2007 (sete meses, portanto), em dólares + 4,6%, enquanto que todas as outras bolsas por esse globo despencavam. (EUA –12,7% , China –42,3%, Japão –8,5% Eurolândia –17,5%, Espanha –16,1% Rússia –7,3%, Índia –31,0%). Deduz-se disso, senhores, que a situação ainda pode piorar. Aliás, tudo se tem feito para que piore na execução da política monetária e cambial. Para Bresser (em seminário na FGV), "a taxa de câmbio do Brasil é suicida e levará para uma crise de pagamentos em dois ou três anos", ainda com seu velho otimismo, qualificou a política cambial de alucinada. Para Yoshiaki Nakano, "O Brasil continua enfrentando um velho problema: “a combinação de taxa de juros absolutamente elevada e a apreciação da taxa de câmbio", no mesmo seminário. No mesmo evento, o ministro Mantega disse considerar que a valorização do real frente ao dólar está quase no limite do que a economia pode suportar "Se for mais adiante, estamos perdidos".
Engraçado que não compareceu ninguém para defender a tal política, a não ser, claro, o autor da própria e as cocotas que trocaram o destino de suas viagens , ao invés de Miami, Paris e os importadores de trilhos chineses.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

HIDROGENIO COMBUSTIVEL


Na época da universidade, eu tinha um professor, o de máquinas térmicas, que entusiasmava a classe com a idéia do uso do hidrogênio como combustível automotivo, “o combustível do futuro” , ele dizia, passando a enumerar as vantagens do “combustível dos foguetes”, “facilmente obtido a partir da eletrólise da água”. Isto foi em 1974.
Vê-se que a idéia não é nova e por muito tempo eu acreditei que o futuro automobilístico estaria associado ao hidrogênio, até que o conhecimento e o tempo desvelaram um mito. Factível mas impraticável. Meu entusiasta mestre era, na verdade, mais um sonhador.
Um artigo de autoria de Alice Friedman em skeptic.com , que reproduzo abaixo, oferece um panorama bastante elucidado da realidade envolvendo o assunto:

Há muito já se provou a impossibilidade do “moto-perpétuo” ou energia gratuita ou mesmo da fusão a frio. Mas o que se sabe a respeito da energia a partir do hidrogênio? Antes de investirmos trilhões em uma economia a hidrogênio, devemos estudar a ciência e a pseudociência por detrás do assunto. Comecemos pelo carro a hidrogênio.
Apesar do Motor de Combustão Interna (MCI) que move seu carro poder também queimar hidrogênio, a idéia é de que em algum dia, células de combustível, que se baseiam em processos eletromecânicos ao invés de combustão (que converte calor em trabalho), se tornarão mais eficientes e menos poluidores que os MCI’s. As células de combustível foram inventadas antes dos motores em 1839 por William Grove. Porém os MCI’s ganharam a corrida usando a abundante e barata gasolina, fácil de transportar e manusear, e grande quantidade em energia armazenada por volume.


Produção
Diferentemente da gasolina, o hidrogênio não é fonte de energia – é um armazenador de energia, como a bateria. Você tem que fazer o hidrogênio e colocar energia nele, ambos processos consomem energia.
O hidrogenio tem sido usado comercialmente por décadas, logo já sabemos como fazer. Existem dois modos de produzir hidrogênio: usando o gás natural como fonte e energia para separar o hidrogênio do carbono (CH4), ou usando a água como fonte e energia renovável para separar o hidrogênio do oxigênio (H2O).
1) Fazendo Hidrogênio a Partir de Combustíveis Fósseis. Atualmente, 96% do Hidrogênio é feito a partir de combustíveis fósseis, principalmente pelo refino e hidrogenação do óleo. Nos EUA 90% é feito a partir do gás natural, com uma eficiência de 72%, o que significa que se perde 28% da energia contida no gás natural no processo ( e não está incluída aí a energia gasta para extrair e transportar o gás natural até a usina de hidrogênio)
Um dos principais argumentos para a mudança da matriz energética é na prevenção do aquecimento global atribuído à queima de combustíveis fósseis. No entanto, quando o hidrogênio é produzido a partir do gás natural, são liberados óxidos nitrosos, que são 58 vezes mais poderosos na retenção do calor que o dióxido de carbono. Carvão libera grandes quantidades de CO2 e mercúrio. Petróleo é muito poderoso e precioso para desperdiçar com a produção de hidrogênio, ele é produto da concentração de energia solar “fermentada” por centenas de milhões de anos. Um litro de gasolina representa aproximadamente 20 toneladas de plantas fósseis, o equivalente a 40 acres de trigo.
O gas natural é ainda mais precioso. Ele é usado para tanto como matéria prima como fonte de energia para a fabricação de fertilizantes. Isto tem levado a multiplicação da produção das safras em várias vezes, permitindo a alimentação de bilhões de pessoas que de outra forma não seria possível. Nós também não temos gás natural suficiente para uso nesta empreitada.
2) Produzindo Hidrogênio a Partir da água. No mundo, somente 4% do hidrogênio é obtido via eletrólise da água. É feito quando se é requerido o gás em alta pureza Desde que a eletricidade provêm, em sua grande maioria, de combustíveis fósseis em usinas com 30% de eficiência, e eletrolise é 70% eficiente, voce acaba usando 4 unidades de energia para criar uma à hidrogênio: 70%*30% = 21% de eficiência.
Produzir hidrogênio usando combustíveis fosseis, tanto como energia como matéria prima, é um total despropósito, desde que o ponto central é se ver livre dos combustíveis fósseis. O objetivo seria o uso de energia renovável para fazer hidrogênio a partir da eletrolise da água. A partir do vento, por exemplo, as turbinas podem gerar eletricidade com 30 a 40% de eficiência e assim produzir o hidrogênio à uma eficiência final de 25%, ou seja, 3 unidades de energia do vento para se obter uma de hidrogênio.

Os melhores painéis solares disponíveis apresentam uma eficiência de 10%, ou 9 unidades de energia solar para obter uma unidade de energia à hidrogênio. Não interessa sob qual ponto de vista voce analisa o assunto, produzir hidrogênio a partir da água sempre vai deficitário em termos energéticos (voce obterá menos energia armazenada na forma de hidrogênio do que a energia aplicada para obtê-lo). Se quiser uma forma mais dramática de dizer isso, mande-me 10 reais que eu te mandarei de volta um real.

Hidrogênio pode ser obtido a partir da biomassa, mas encontraremos numerosos problemas:

é bem sazonal;
depararemos com muita umidade, requerendo energia para armazenagem e secagem antes da gaseificação;
oferta limitada;
as quantidades não são o bastante para produção de hidrogênio em larga escala;
grande quantidade de terra é necessária porque mesmo o cultivo em solo bom tem baixa produtividade – 10 toneladas por 2,4 acres;
o solo se degradará por erosão e perda de fertilidade quando retirada a biomassa;
qualquer energia colocada na terra para crescimento da biomassa, tal como fertilizantes, plantações e colheitas, adicionarão custos ao processo;
os custos de uma usina central de energia deverão ser adicionados ao custo total do processo;
não é recomendável para a obtenção de hidrogênio puro.

Não interessa de como é feito, hidrogênio não tem energia nele mesmo. Ele é a forma de energia menos densa do planeta. Em condições normais de temperatura e pressão, hidrogênio toma três mil vezes mais espaço que a gasolina para a quantidade equivalente de energia.
Para colocar energia no hidrogenio, ele deve ser comprimido ou liquefeito. Para comprimi-lo para a pressão recomendada de 10.000 psi é necessário um processo de vários estágios que custa um adicional de 15% da energia contida no hidrogênio.
Se voce o liquefaz, voce será capaz de colocar toda a energia nele contida em um recipiente menor mas perderá, no processo, 30% a 40% da energia nele contida. O manuseio do hidrogênio neste estado requer precauções extremas porque estará tão frio (-253ºC) que o manuseio só será possível por robôs.

Armazenagem
Para estocagem e transporte de hidrogênio líquido, será necessário um pesado pesado sistema especial. O tanque é frio o suficiente para provocar o emperramento de válvulas e outros problemas. Se acrescentamos isolamento térmico para preveni-los, peso adicional será acrescentado ao já bastante pesado tanque com a adição de custos extras.

Digamos que um carro possa, de acordo com experimentos já realizados, andar cerca de 90 quilômetros com um quilo de hidrogênio. Um tanque que pode conter 3 kg deste gás pode render, então, 270 km e pesar 400 kg. Compare com o tanque do Honda Accord que pesa 11 kgs, custa US$ 100 e tem capacidade de conter 65 litros de gasolina. O peso total seria de apenas 73kg. A autonomia seria de 780 km à 12 km/l.
Veja abaixo a tabela comparativa do tanque de hidrogênio X tanque de gasolina para o Honda Accord:
Hidrogênio
Quantidade de Combustível: 55kg a 3000 psi
Peso do Tanque: 400 kg
Autonomia: 270 km
Custo de Abastecimento: US$ 2.000
Gasolina
Quantidade de Combustível: 65 l
Peso do Tanque: 73 kg
Autonomia: 780 km
Custo de Abastecimento: Us$ 100

De acordo com a NHTSA ( administração de trafego e segurança nas estradas na sigla em inglês, ), “ A redução do peso do veículo é a tecnica mais poderosa para promover economia de combustivel. Cada 10% de redução de peso em novos projetos de veículos melhora a economia de combustível em aproximadamente 8%.”
Quanto mais se comprime o hidrogênio, menor o tanque pode ser. Mas se aumenta a pressão, terá que se aumentar também a espessura da parede do tanque e assim cresce também seu peso. O custo aumenta com a pressão. A 2000 psi é de US$ 400 por kg. A 8.000 psi é de US$ 2.100 por kg. E o tanque será enorme a 5.000 psi, e pode tomar dez vezes mais volume que um tanque de gasolina com igual quantidade de energia.
Células de combustível são pesadas. De acordo com Rosa Young, física e vice-presidente de uma empresa de pesquisa e desenvolvimento de novos materiais na área de energia em Michigan: “ Um sistema de armazenamento híbrido que possa conter 5 kg de hidrogênio, incluindo o tanque e os trocadores de calor, pesaria aproximadamente 300 Kg, o que diminuiria a eficiência do veículo.
As celulas de combustivel são também caras. Em 2003 custavam US$ 1 milhão ou mais embora já estivessem desenvolvidas o suficiente para necessitarem de menos catalisadores caros como a platina. Ainda pouco confiáveis, podem se tornar pesadas e perder potência se existir impurezas no hidrogênio, e não duram mais que 1.000 horas, não alcançam ainda autonomia de 200 Km e perdem de longe para os híbridos como Toyota Prius, que já possuem eficiência energética maior e menor emissão de CO2 do que os ainda projetos de veículos à células de combustível.
Sendo o mais leve de todos os gases, assim que o coloca em um tanque, ele já procura sair, toma um bocado de esforço em mantê-lo confinado. Dispositivos relacionados a estocagem, como selos, juntas e válvulas são de complexidade extrema. Tanques a hidrogênio líquido perdem do gás entre 3-4 por cento ao dia.
O hidrogenio tende a criar fissuras no metal e assim provocar vazamentos. Fissuras em tubulações de hidrogênio são potencialmente catastróficas. Construir um metal robusto o suficiente para trabalhar com o0 hidrogenio acrescenta peso e custo. Vazamentos também se tornam mais freqüentes com o aumento da pressão. Podem ocorrer vazamentos em juntas não soldadas, linhas de combustível, e selos não metálicos como juntas, o-rings, veda-roscas e gaxetas. Um motor à célula de combustível para trabalhos pesados pode ter milhares desses selos. De todos os combustíveis, o hidrogênio é o que possui o menor ponto de ignição, 20 vezes menor que o da gasolina. Logo, na ocorrência de um vazamento ele pode sofrer ignição por diversos dispositivos presentes no motor. E para piorar, os vazamentos não são visíveis- algumas vezes a única maneira de detectá-los é pela baixa performance do motor.
Transporte

Carretas tanque de US$ 250.000 cada, podem carregar combustível suficiente para 60 carros. Essas carretas pesam em torno de 40 toneladas, mas tem capacidade para carregar somente 400 Kg de hidrogênio. Para uma entrega à 250 Km ( em estrada em excelentes condições) a energia usada para transporte corresponderá à aproximadamente 20 % da energia transportada. A 500 Km, 40 %. Uma carreta do mesmo tamanho transportando gasolina, tem a capacidade de 40.000 litros, o suficiente para abastecer 800 carros.
Uma outra alternativa seria os dutos. O custo médio de um gasoduto pra gás natural é de aproximadamente US$ 500 mil por Km, e existe nos USA cerca de 300 mil Km em gasodutos para o gás natural, que não poderão ser reutilizados porque a composição do metal não é apropriada ( o hidrogênio poderá criar fissuras) além do diâmetro incorreto com vistas a maximizar a vazão do gás. Uma infra-estrutura similar para o hidrogênio custaria cerca de US$ 200 trilhões. O maior custo de operação estaria por conta da energia para os compressores e manutenção.
Os compressores no gasoduto é o que mantém o gás em movimento, usando o próprio hidrogênio para manter o fluxo. Após 1.000 Km, 8 % do hidrogênio teria sido gasto neste processo.
Conclusão
Em algum ponto ao longo da cadeia de produção, energia de consumo, estocagem, e distribuição do hidrogênio, estaremos usando mais energia do que recebemos de volta, e isto ainda sem contar a energia para a fabricação das células de combustível, tanques de estocagem, sistemas de distribuição e veículos.
Quando a fusão (nuclear) for capaz de fazer hidrogênio barato, quando células de combustíveis duráveis surgirem das pesquisas, e quando tanques leves e tubulações a prova de vazamentos feitos em polímeros e fibra de carbono estiverem disponíveis a preços módicos, então poderemos pensar em construir uma infra-estrutura econômica á base de hidrogênio. Até lá, é puro sonho. Todos estes obstáculos técnicos têm que ser bem resolvidos antes de qualquer coisa acontecer. Enquanto isso, o governo americano deve parar de colocar dinheiro no programa Freedom Car, que canaliza milhões de dólares para as três grandes da industria automotiva para trabalhar com as células de combustível à hidrogênio. Ao invés disso, os fabricantes de automóveis deveriam melhorar a eficiência de seus veículos, obrigando-os pela revisão das normas vigentes.
Em algum tempo no futuro, o preço do petroleo e do gas natural crescerá significantemente devido ao esgotamento geológico e à crises políticas nas nações produtoras. Desde que a infra-estrutura do hidrogênio será construída aproveitando a infra-estrutura existente para o óleo (i.e. motores de combustão interna, usinas elétricas, plásticos etc..), o preço do hidrogênio subirá também – ele nunca será mais barato que os combustíveis fosseis. Com o crescer do esgotamento, industrias irão saindo do negócio pelos altos custos dos combustíveis e as partes necessárias para a construção de um sistema de estocagem altamente complexo deixarão de estar disponíveis no mercado.

Pelas leis da física, uma economia a base de hidrogênio será sempre inviável em termos de balanço energético. As propriedades do hidrogênio requerem que se gaste mais energia do que se pode obter, porque neste intuito terá que se quebrar a ligação hidrogênio-oxigênio da água, fabricar carros bem mais pesados, prevenir fissuras e vazamentos e transporte e distribuição do hidrogênio. Não interessa que todos estes problemas fiquem resolvidos, ou quanto dinheiro se gaste. Sempre se gastará mais energia para obter, armazenar, transportar e distribuir da energia que se obterá no final do processo.
Qualquer desvio do uso de combustiveis fosseis para a alimentação de uma economia a hidrogênio, significa subtrair seu uso em outras áreas possíveis, tais como plantio, colheita, cozinha, calefação e outras atividades essenciais.

De acordo com Joseph Romm, integrante do Departamento de Energia, que conduziu pesquisa sobre o hidrogênio e transporte durante a administração Clinton: “Os problemas ambientais e energéticos que desafiam o globo, principalmente o aquecimento global, são de longe, muito sérios para nos expormos à riscos de uma política errônea na alocação de recursos escassos.”

Referências


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Romm, 2004. The Hype About Hydrogen, 8.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

SEM MISTÉRIO


O cachorro
O nariz que perdi
O gato
A graça que tenho
A girafa
Minha curiosidade
O javali
A minha carne
O pato
Sou engraçado
O cavalo
Animal
O camelo
Minhas corcovas
A tartaruga
Acumulo águas marinhas
As ondas
Preciso dropá-las

quinta-feira, 19 de junho de 2008

MERA COINCIDÊNCIA

O economista chefe do Deustche bank AG, o maior banco da Alemanha, Adam Sieminski, disse que o petróleo a US$ 200 "quebraria a espinha dorsal da economia mundial.” Considerando que não falta analista a dizer que o preço do óleo pode até passar dessa marca, estamos próximos de ver uma economia mundial paraplégica ou mesmo tetraplégica.

Internamente, o país luta para antecipar o dia do juízo quando a autoridade monetária se arrisca a cair do cavalo e fraturar o pescoço em suas investidas contra os moinhos, resultado de sua política quixotesca.

O Dow Jones recua a níveis de 21 meses atrás e atrás dos rebaixamentos promovidos pelo Goldman Sachs ao Citi e à GM, que por tabela dissolve a bolha criada aqui com o grau de investimento.

Tudo volta ao que era, ou melhor, depois da bebedeira a turma acorda sóbrio, mas na maior ressaca, e subtraído de alguns pertences.

A deterioração de nosso comércio exterior acelera com a valorização cambial ainda mais profunda, a inflação mundial já beira o centro de nossa meta de inflação interna, o BC aumentou para 25% as chances de estouro, e pelo andar da carruagem, deverá anunciar, daqui a algumas semanas, chances de 100% em estourar 25% ou mais.

Todo este desespero deverá se transformar em pânico quando as companhias aéreas não conseguirem mais enrolarem as suas contas com o combustível, obrigando os políticos a atravessarem o final de semana inteiro em Brasília.

Por outro lado, se não puderem mais voltar ao trabalho, a coisa pode melhorar.

Enquanto isso, engrossa a fileira dos críticos à atual política monetária:

Numa entrevista à Folha, Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo alertou para o "risco muito grande de déficit externo" que corre a administração de Luiz Inácio Lula da Silva com um câmbio muito valorizado. Defendeu restrição à expansão do crédito. E afirmou que o BC errou ao não reduzir mais os juros quando o cenário externo era favorável e que esse equívoco traz prejuízos hoje. Motivo: eleva o custo de combater a inflação.

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, disse nesta terça-feira que há espaço para que a taxa de juros Selic caia a níveis semelhantes ao que é praticado no México (hoje em 4%), opinião compartilhada com a do ex-presidente do BC, Armínio Fraga.

Alcides Leite Domingues - professor de Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios - em artigo publicado no Valor Econômico em 14/5 – disse:

"...quando comparamos a taxa básica real de juros de curto prazo, isto é, a taxa básica de juros de curto prazo descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses, chegamos aos seguintes resultados: 0,84% ao ano nos países desenvolvidos; 0,90% nos países em desenvolvimento (exceto Brasil); e 6,73% ao ano no Brasil.
A análise comparativa nos mostra que há, de fato, um preço que está totalmente fora de lugar no Brasil.
Um ponto totalmente fora da curva. Uma anomalia internacional. Trata-se da taxa real de juros, ou do preço do dinheiro, que no Brasil é cerca de 7 a 8 vezes mais caro que no resto do mundo.

Será que todo o mundo está errado e o Brasil certo?

Cabe ao Banco Central, órgão responsável pela política monetária no Brasil, responder esta questão".

Senão só com o macaco Simão.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

CONEXÕES INSANAS


Dizia algum filósofo cujo nome me foge à lembrança: “está tudo conectado”.

Um dos que teorizaram a asserção foi Carl Gustav Yung quando ele trata em seus escritos do que chamou de “inconsciente coletivo” que não passa, em última análise, de uma conexão inconsciente entre todos os seres.
Contudo, não se trata de matéria nova, em verdade uma crença milenar, bem característica dos povos das Antilhas e seus vodus como o candomblé dos afro-brasileiros.
Coisas interessantes e surpreendentes acontecem todos os dias e, sem dúvida, guardam conexão entre si. Eu mesmo saquei algumas de eventos recentes que passo a enumerar abaixo:

Primeiro, a vitória de Barack Obama na indicação do partido para concorrer às eleições presidenciais dos EUA em novembro.

Conservadores (um termo politicamente suave) como demonstraram ser, os norte-americanos ao longo da história, a eliminação de uma mulher da corrida presidencial não chega a ser surpresa.

O espantoso é a preferência demonstrada pelo candidato de descendência afro a uma mulher branca, e surpresa maior será ele bater o candidato republicano e seu plano de retirada das tropas do Iraque em cem anos.

Como inventores da democracia, não podemos eliminar o risco de vermos suas regras alteradas ou adaptadas nem reinventadas, a uma crescente predominância afro na etnia americana.

A segunda, é que o SUS irá efetuar cirurgia de mudança de sexo.

De quem? Seria uma pergunta natural antes de estabelecermos contato com a razão e, voltando a realidade, depararmos com mais um evento improvável.

Mas sempre uma pequena dúvida persiste.

Será que os brasileiros, mais particularmente essa galera do SUS, descobriram como transformar um macho em fêmea e vice-versa?

Testaram antes o procedimento em animais e se precaveram em não anunciar enganosamente alguma coisa híbrida, apartado dos opostos que conhecemos hoje como macho e fêmea?

Desde quando “mudança de sexo” é um problema da saúde pública?

Existe algum plano estratégico em efetuarmos mudanças de sexo em larga escala?


E o que tem isso a ver com Barack Obama e Hillary Clinton?

Muitas perguntas não têm como ser respondidas, mas a conexão entre os dois eventos é clara.

Hillary Clinton transformada em homem seria a opção sonhada pelos ditos conservadores para a presidência dos EUA.

Já o Obama transformado em mulher não bateria a Condolezza Rice, por motivos óbvios.

Terceiro, ontem recebi um e-mail oferecendo para tirar meu nome da lista do SPC e SERASA (sem eu estar na lista, lógico), pela reles quantia de 25 reais. Valor tão baixo, eles justificam, é porque a retirada é temporária. Com o tempo, os registros voltam mas enquanto isso, eu poderia usar meu crédito restabelecido tal qual uma foice e vivendo um verdadeiro carnaval.

A conexão com os eventos anteriores é gritante, nada que se possa fazer a um preço baixo pode ser verdadeiro, e aí é que entramos no país do carnaval com o quarto evento.

Quarto, o Unibanco lançou em minha conta no dia 2 de junho, dia do pagamento, um débito no valor de 22,50 sob o título de “tarifa light jun08”, nada surpreendente, concordo, surpreendente deve ser a tarifa heavy, fazendo-me crer que poderia ser pior que aceitar este alívio em meu bolso feito por mão leve e sem conexões.

No entanto, logo abaixo, aparece outro débito, de 38,70, sob o título *EXCEDENTE SAQUETERMINAL MAI08”.

Até o momento eu não sabia que tinha um banco (realmente nem parece banco) que se preocupava com minhas incursões ao caixa eletrônico impingindo-me uma multa toda a vez que ultrapassar certa quantia ou número de viagens.

Este conhecimento, desculpem-me, não me é dado a saber, para a minha própria segurança, creio.

Não posso deixar de fazer a conexão entre tal evento e a organização tarifária efetuada pelo BCB e os tópicos anteriores.
Daí inevitável que surja outra questão:

se não se consegue levar a cabo tarefas mais simples, como a organização de uma política tarifária para os bancos, o que poderemos esperar na consecução de uma coisa mais séria como a política econômica da nação?

Quinto, e advirto que vou parar por aqui, pois estando tudo conectado a coisa pode não ter fim.


Quinto, em inglês,” Oil surges $5.49 to settle at $127.79 as dollar retreats after European Central Bank president says bank may hike interest rates”.

Ou seja, óleo dispara com a fala do Banco Central Europeu de que pode vir a subir a taxa de juros. A declaração ocorreu após o BCE ter anunciado a manutenção da taxa básica em 4%.


Mas aqui nenhuma conexão deve ser feita com o BCB. O banco central é o europeu e a moeda é o euro.