terça-feira, 30 de outubro de 2007

Bolsas - Sinal de Alerta






Parece que há algo de podre no reino.



As bolsas que deveriam espelhar a perspectiva de evolução do sistema produtivo, sinalizam para uma alta que não condiz com as recentes também altas do preço do óleo no mercado internacional.


Historicamente alta da energia significa recessão e inflação.
Ou acredita-se que o preço do petróleo não vai conseguir sustentação e despencará para patamares de antes de agosto ou uma bolha vem sendo criada sinistramente para engolfar os incautos. Seguindo a euforia a inevitável depressão. Onde apostar?


“Se você pensa que o preço do petróleo está alto hoje, espere até quarta feira” disse a CNNMoney, opinião compartilhada por Sieminsky, economista ligado a questões energéticas no Deutsche Bank: “ Se o FED cortar os juros, ele provavelmente empurrará os preços do óleo ainda mais para cima.”


Existem duas razões simples de que taxas mais baixas ocasionam preços do óleo mais altos. A primeira é que taxas mais baixas são projetadas para promover crescimento econômico via custo mais barato para o financiamento. Crescimentos mais fortes, em compensação, requerem o uso de mais energia e maior demanda puxam os preços. Segunda, baixas taxas de juros usualmente causam a queda da moeda americana o que torna o investimento no país(EUA) menos atrativo ao capital estrangeiro.


O óleo, como varias outras commodities, tem seu preço fixado em dólar. Se o dólar cai, as nações produtoras de óleo, como as pertencentes a OPEC, necessitam um preço maior por barril com vistas a manter o mesmo nível de receita. E também eles não estariam dispostos a aumentar a produção por força de uma demanda crescente em países da Europa, em que o óleo se tornaria mais barato.


A questão central é: Estaria a baixa taxa de juros já exaurido seus efeitos sobre o preço do barril, e se não, até onde ele pode crescer?


“Alguma parcela já foi transferida, mas podemos esperar mais” , foi o que disse Neal Dingmann, um analista da Dahlman Rose & Co.


Isto poderia estabelecer novo recorde de preços nominais, de quando, com a correção dos preços pela inflação, o petróleo atingiu o equivalente a algum valor entre US$ 96 e US$ 101, no ínicio dos anos 80, durante a guerra Irâ – Iraque.
Da mesma opinião compartilha a autoridade do Deutsche Bank.




Quanto ao Bacen, fora a nota singela emanada na última reunião do Copom, ainda não houve manifestação a respeito.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

DIESEL BIO!! SONHOS E DESVARIOS





Há pouco tempo atrás, foi realizado um ciclo de audiências, cuja finalidade central era uniformizar os conhecimentos dos membros de GTI (Grupo de Trabalho Interministerial) sobre o biodiesel .
Nesse sentido, buscou-se convidar entidades e órgãos públicos e privados, bem como parlamentares ligados à área, de modo que se pudesse formar, segundo eles, ao final do ciclo de audiências, um quadro referencial sobre os pontos considerados mais relevantes sobre a matéria.
Longe de uniformizar qualquer coisa, o documento produzido mostrou que não há matéria mais misteriosa, e o resultado foi um condensado de opiniões e profecias sem amparo científico, mostrando que o governo continua perdido em meio a luta dos interessados pelos seus próprios interesses.


Agencia Nacional do Petróleo – ANP

Enfatizou que a Agência, cuja atribuição é implementar a política nacional de petróleo e gás, tem por foco a proteção ao consumidor. Isto deve significar que ao focar no consumidor, alguém mais deve tomar conta de sua atribuição primária. Já que a ANP irá se fazer de PROCON, pode ser que o PROCON então deverá ser o encarregado da implementação da política.


Associação Brasileira das Indústrias de Óleo vegetais – Abiove

Disse que diante do progressivo esgotamento dos combustíveis de origem fóssil, da necessidade de buscar a auto-suficiência, de reduzir a poluição nas grandes cidades e uma vez definidos os aspectos essenciais do modelo brasileiro de produção de biodiesel, a rota tecnológica etílica ou metilica ( usadas na produção de álcool ou cachaça), a relação entre escala e regionalização e mais outras coisas incompreensíveis profetizou que o Brasil irá atender a 60% da demanda mundial de diesel!!!


Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – ANFAVEA

Enfatizando que seu posicionamento estava em consonância com o da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva e com o da SINDIPEÇAS, mostrou-se a favor da redução de preço do combustível, o que seria muito natural se não fosse o diesel já carregar um enorme subsídio.
Mostrou-se excitada embora dissesse preocupada com a durabilidade e integridade da frota existente. Segundo disse o expositor: “deve-se aproveitar a experiência já existente em outros países e ainda realizar testes exaustivos para aferir a viabilidade do biodiesel, ação em que a participação dos fabricantes dos veículos é indispensável por deterem conhecimento completo de seus produtos e componentes.”
Vê-se que ao mesmo tempo em que disseram saber tudo, disseram não saber nada e que muito experimento necessita ser efetuado, com vistas à verba a ser liberada pelo programa.


Central Unica dos Trabalhadores – CUT

Discorreu, inicialmente, sobre o potencial de geração de emprego e renda, no semi-árido, a partir de um programa de biodiesel. Em seguida afirmou que essa alternativa energética não pode deixar de contemplar, como um dos seus pilares básicos, a inclusão social de amplos segmentos empobrecidos do meio rural de forma descentralizada, com o envolvimento de todos os atores públicos e privados e mediante a implantação de complexos cooperativos agroindustriais na perspectiva de um modelo de economia solidária.
Belas palavras para não dizer nada, ou mais um sonho. Os tais segmentos empobrecidos cultivam, em sua franca maioria, alimentos. E alimentos para o consumo próprio. O Banco Central os têm mapeados, visto que muitas das cooperativas de produção estão ligadas á uma cooperativa de crédito.


Confederação Nacional da Agricultura – CNA

Também reivindica desoneração tributária, decisão política, garantia do desempenho dos motores, padronização e garantia de qualidade, incentivo à pesquisa e desenvolvimento. Passando a palavra ao coordenador do Projeto Biodiesel da USP, este enumerou vantagens do biodiesel em termos de desenvolvimento agrícola e etc...Registrou a necessidade de aditivos para o armazenamento, devido o produto ser biodegradável. Disse ainda que a soja representa 96% da cultura das plantas oleaginosas. Em sua avaliação, a adição de até 30% ao diesel seria viável, mas seria aconselhável o início com percentuais entre 2 a 5% .



Coordenação dos programas de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – COPPE/UFRJ

Analisando a questão energética no setor de transportes, a representante da COPPE/UFRJ demonstrou que o segmento rodoviário nacional respondeu, em 2001, por 90,2% do consumo de todos os combustíveis e 56,4 % do óleo diesel. Acrescentando-se o fato de no Brasil se extrair, em média, 33% de óleo diesel a partir do petróleo quando a média mundial é 25%.
Daí por diante a representante se envereda por outras alternativas como óleo para frituras, em que um furgão( que poderia ser até uma pastelaria ambulante) já utiliza desde 2001 e ainda a possibilidade de se extrair óleo dos esgotos e de refugo de nabo forrageiro.


Deputada Federal Mariângela Duarte

Disse acreditar no programa biodiesel como uma forma de combate a pobreza na zona rural sem apresentar dados para a sustentação da tese.


Deputado Federal Rubens Otoni

Este sente-se o pai do GTI e cita o proalcool como exemplo a ser seguido pelo biodiesel.



Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa

Por meio de apresentação conjunta com representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, estes senhores acreditam na inserção da agricultura familiar de subsistência no programa biodiesel, ou seja, as famílias assentadas passariam a cultivar mamona ao invés de feijão e mandioca.


Enguia Power

Segundo seu representante, a empresa tem um projeto privado para assentar até 30 mil famílias no semi-árido, voltado à produção de biodiesel a partir da mamona.
Difícil saber o que pensa este senhor. Talvez ele especule um possível retorno ao tempo da escravatura para levar adiante seu projeto onírico.


Federação dos Municípios do Estado do Maranhão – FAMEM

Ressaltando que 37% do território maranhense é coberto por babuçais nativos, ele já levantou a bandeira do babaçu com a inclusão do trabalho feminino na colheita. Não obstante, identificou a baixa produtividade dos babuçais.


Petróleo Brasileiro S. A. – Petrobrás

Segundo o representante da estatal, a dependência nacional de petróleo e diesel importados é da ordem de 32% do consumo, significando um dispêndio anual de divisas da ordem de US$ 3,2 bilhões (este valor deve ter sido superado e muito em função das recentes altas do preço do petróleo) que poderia ser reduzido ou mesmo evitado com a produção do biodiesel, além da possibilidade de exportação de excedentes.
Tanto otimismo assim chega a comover. O que se esperaria da Petrobrás? Um mapeamento geral do nosso sistema agrícola dizendo as áreas promissoras, os rendimentos esperados e uma projeção do consumo de diesel?


Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia – SECTI

Apontou diversos gargalos tecnológicos e econômicos que, a seu ver, precisam ser superados.Também enumerou as implicâncias benéficas com relação a emprego, renda e recuperação de áreas degradadas, ou seja, nada acrescentou.

Secretaria de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia.

Ressaltou que, considerando-se os preços relativos atuais do diesel e do biodiesel, esse dificilmente seria viável, cabendo ainda considerar os impactos derivados da abertura de novas fronteiras agrícolas. Disse ainda ser o MME responsável em manter a oferta do produto com qualidade e de sustentar o abastecimento de longo prazo.
Em suma, ainda não tem a matéria sob domínio, mas pelo menos foi honesta em dizer, ou em não dizer bobagens.

Sindicato da Industria do Açúcar e do Álcool – Sindaçucar

Disse ser o segmento sucroalcooleiro um cluster responsável por mais de um milhão de empregos.
Não disse o que tal segmento teria a ver com o biodiesel, nem podemos imaginar tampouco.


Sistema Volta ao Campo de Assistência Técnica Multidisciplinar e Integral (SVC)

Trata-se de um criativo esquema custeado pelas prefeituras para assistência técnica aos agricultores. Acredito tratar-se de mais uma ONG que se interpõe entre o poder público e os beneficiários com o intuito de prestar algum tipo de serviço. Pela sua exposição, nada tem a ver com o programa biodiesel especificamente, mas demonstra interesse no bolo a ser repartido.


Soyminas Biodiesel – Grupo Biobras

Com a atuação na produção de biodiesel há dois anos, o grupo possui cinco plantas industriais instaladas nos Estados de MG, SP, MT e GO, mostrou-se contrário a repetição , no caso do biodiesel, da experiência do Proalcool. Afirmou que o biodiesel produzido na Soyminas tem um custo de produção de R$ 0,30 por litro. Contradisse outros expositores ao informar que não existem problemas de estocagem do biodiesel.
Como não apresentou nada que fundamentasse suas afirmações, e o único a não reclamar do preço baixo do diesel, creio que deve ter entrado em palestra errada...


Tecnologias Bioenergéticas Ltda – Tecbio

Este insiste em dizer que o Brasil teria condições de suprir cerca de 60% da demanda mundial de diesel, e ainda a solução para a miséria nordestina.


União da Agroindústria Canavieira de São Paulo - UNICA

Disse que o desenvolvimento da tecnologia para a produção do álcool combustível propiciou a redução de US$ 700/m3 na década de 80 para US$ 200/m3 nos dias de hoje.
Este é um dado impressionante porque se corrigirmos a moeda americana de 1980 para cá, US$ 700/m3 representariam aproximadamente US$2100/m3 ou US$ 2,10/litro, um absurdo. Hoje, a R$ 0,40/litro ainda representa um custo um pouco maior do que declarado pela Soyminas (ver acima). No entanto, vale chamar a atenção sobre o acréscimo de 20% ao preço da gasolina, colocado para oferecer competitividade ao setor alcooleiro, a meu ver, sem necessidade nos dias de hoje dada a fantástica redução nos custos de produção.
Também interessante é o do segmento do álcool mostrar interesse em migrar para o biodiesel, “sem afetar a oferta do álcool, uma vez que a demanda anual não ultrapassará 200 milhões de litros, correspondente ao consumo semanal da frota movida a álcool.” Incompreensível.


Universidade de Brasília – UnB

A UnB desenvolve pesquisas e testes, visando obter o biodiesel em fábricas de pequena escala, pelo processo de craqueamento térmico. Por não necessitar de etanol ou metanol, a exemplo da transesterificação. Existe uma planta piloto, em funcionamento há seis meses, com capacidade de produção de até 200 litros/dia, cuja implantação custou R$ 6.500,00.
Lamentavelmente, não informa qual é o custo da produção, visto que qualquer processo térmico requer dispêndio de energia logo, dependendo da quantidade, todo o processo pode ser inviabilizado.


Universidade de São Paulo – USP

Afirmou que o atual custo de produção do biodiesel é elevado, sendo necessário subsidiá-lo para que se torne economicamente viável.. Em seguida, passou a expor os resultados, ainda incompletos, de estudos que buscam confrontar os impactos ambientais biodiesel versus diesel.
Diante das indagaçõesdo representante do MMA quanto à destinação a ser dada ao glicerol e farelo, subprodutos do biodiesel, e a concorrência entre a produção de oleaginosas para fins energéticos e alimentares, o expositor afirmou existir várias possibilidades de utilização da glicerina e concordou com o posicionamento de que a produção do biodiesel deve ser descentralizada, de acordo com as características regionais.


Conclusão

Nada sabemos sobre a matéria, apenas que onde está a carniça estão os urubus.

O programa parece tomar feição de uma extensão do Pronaf onde várias ONG’s se interpõe no caminho sobrando pouco para os agricultores, sem uma coordenação séria que vise os interesses do país.
Como informou a Petrobrás, importamos cerca de 32% de nossas necessidades de diesel. O preço do petróleo está em vias de bater o recorde de janeiro de 1980, registrando aumento de 7% somente na última semana e, no entanto, os preços do diesel continuam estáveis por mais de um ano em R$1,84 o litro. Mesmo levando-se em conta a desvalorização do dólar no mercado mundial, o preço está claramente defasado. Isto leva a crer que o país ainda não sente a alta do óleo no mercado internacional, provavelmente por conta de contratos antigos no mercado de futuros que devem ter sido fechados antes do mês de agosto.

O caso do diesel no Brasil virou uma bomba relógio.

Com todo um sistema de transporte estruturado na quase totalidade nesta matriz energética, e ainda um sistema quase que integralmente rodoviário que, em relação ao ferroviário, é dez vezes menos eficiente.

A situação a curto prazo é assustadora, a longo prazo caótica.

Com a produção de petróleo leve em declínio, o diesel mineral tende a escassez em primeiro lugar, dentre todos os combustíveis, inviabilizando por completo nosso sistema de transportes.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

OS DONOS DO OLEO



A demanda mundial pelo óleo vem crescendo. Estaria a produção crescendo também?

Hoje, o mundo vem consumindo um pouco mais que 84 mb/d (cerca de 30 bilhões de barris anuais).

Pelo ano de 2025, a demanda global estima-se se situar na casa dos 121 mb/d (44 bilhões de barris ao ano) A demanda crescente nos EUA, China, India e outras nações em desenvolvimento deverão contabilizar um aumento de 60% no consumo até 2025.


De onde virão estes 40 mb/d adicionais?

É deveras incerto que óleo bastante será descoberto para atender a esta demanda. Apesar da Superintendência Geológica dos EUA, assim como o Departamento de Energia (EIA) e a indústria petroquímica acreditarem que ainda restam 3 trilhões de barris esperando para serem extraídos, sendo que 1/3 deles ( 1 trilhão) já se tem conhecimento onde se localizam.

Outros afirmam que a produção dos maiores campos já encontraram seu pico produtivo ou em breve encontrarão. Várias grandes descobertas da ordem de bilhões de barris seriam necessárias apenas para repor o declínio de produção destes campos mais antigos, e bem poucas descobertas dessa magnitude têm acontecido em décadas recentes.


Muitos predizem que o pico da produção mundial de petróleo deve acontecer entre os anos de 2010 e 2020.
Um dos que comungam com essa idéia é Richard Heinberg do Post Carbon Institute e autor de três livros sobre o pico da produção do óleo.
Heinberg diz que o mundo nunca chegará a produzir alguma coisa da ordem de 120 mb/d como divulgado pela EIA.
Diz ainda que o pico da produção mundial já ocorreu em maio de 2005, a produção de 33 dos 48 maiores paises produtores está em declínio e que as descobertas globais encontraram seu pico em 1964.

Mais importante de tudo, ele diz que as reservas no Oriente Médio, onde a EIA prediz que suprirá o aumento da demanda, foram sistematicamente superdimensionadas.

“Todo mundo toma suas figuras pelo valor de face”, disse Heinberg. “Mas elas são companhias nacionais, não podem ser auditadas”

Ao invés de uma produção chegando a 121 mb/d, Heinberg vê uma produção estável no patamar atual nos próximos poucos anos, e então, um declínio gradual começando em 2010.
Pelo ano de 2015, ele diz que a taxa de declínio acelerará a medida que um poço atrás do outro parar de produzir e pouquíssimas novas descobertas acontecerão.
Lá pelo ano de 2030 o mundo terá que se virar com uma produção em torno de 30 milhões de barris ao ano.

“Vai ser um enorme choque para o sistema global,¨ diz Heinberg. “ Estamos falando de alguma coisa parecida com a grande depressão ou muito pior.”

Qualquer que seja o resultado de quanto petróleo ainda resta, o que realmente está interessando aos analistas, neste momento, é o desenvolvimento sensacional da China e sua demanda fabulosa pelo óleo.

A acelerada injeção de capital estrangeiro e tecnologia, engordando as reservas internacionais, e ainda a larga mão de obra disponível, a China vem se tornando mais um gigante industrial. Sua economia cresceu mais que nove porcento em 2003, e se espera que se torne a terceira maior do mundo em 2015.
As vendas do setor automotivo vem crescendo a uma taxa incrível; 2 milhões de novos carros foram vendidos em 2003, com crescimento de 75% em relação ao ano anterior. A demanda por eletricidade tem excedido a oferta em muitas das áreas industriais, levando a apagões e o conseqüente crescimento do mercado de geradores a diesel. Como conseqüência, a demanda pelo petróleo subiu para 5.5 mb/d em 2003, ultrapassando o Japão para se tornar o segundo maior consumidor mundial, atrás somente dos EUA.
A China não é somente uma economia emergente. Com o colapso da União Soviética, somente a China tem potencial de se rivalizar com os EUA em termos de potência militar. Com sua crescente capacidade tecnológica, enorme população, e rápido crescimento industrial, China eventualmente poderá estabelecer um poder militar no leste da Ásia e ameaçar o domínio americano naquela região, se ela se decidir a agir desta maneira.
Entretanto, China tem um calcanhar de Aquiles: ela não tem grandes reservas de petróleo necessárias para impulsionar sua economia crescente. Em 2003, China importou 35% de suas necessidades de petróleo; pelo ano de 2025, a sua demanda total esperada será do dobro da atual e ela deverá encontrar a necessidade de importar cerca de 70% de seu consumo.
Assim como os EUA, a China olha com interesse o Oriente Médio para seus suprimentos futuros, enquanto vasculha o mundo da África à Rússia passando por Caspian Basin.

Para as Nações dependentes do óleo, todos os caminhos as levam de volta ao Golfo Pérsico.

O Financial Times em um artigo diz: “ Os executivos do Petróleo aceitam o fato de que poucas grandes descobertas deverão acontecer, e que o futuro será crescentemente ditado pelos líderes do Oriente Médio que mantêm sob estreito domínio as reservas ainda por explorar."

Enquanto isso as reservas antes abundantes no EUA, Alaska e Mar do Norte já mostram sinais da idade. Aproximadamente 65% ( e subindo) das reservas restantes mundiais são controladas pelos governos do Golfo Pérsico, e destes, a Arábia Saudita é a campeã com muita vantagem.


Não somente a maior reserva mas a mais barata para explorar.

Baseada nas projeções de crescimento da demanda de óleo dentro de EUA como no restante do mundo, a “Energy Information Agency (EIA)” projeta uma produção do Golfo Pérsico em 2025 como o dobro da atual, assim como as compras dos EUA. A participação da OPEC saltará de 44% em 2001 para 60% ou mais em 2025.
Este grande aumento da produção não será possível sem um investimento significativo na estrutura produtiva da região. Desde os anos 70 quando a produção na região foi nacionalizada, a maioria dos governos decidiram a não investir na expansão da capacidade produtora, gastando a receita proveniente da venda do óleo em armamentos, serviços públicos, programas sociais ou enriquecimentos isolados. A conseqüência disto é que a produção somente será possível com a infusão de capital estrangeiro e expertise proveniente dos EUA, Rússia, Europa e China através de suas companhias.

E sera que os regimes políticos do Golfo e da OPEC irão cooperar?


Eles têm seus próprios interesses a perseguir, que podem não coincidir com os interesses das nações importadoras. O interesse deles é manter um suprimento apertado em conjunção com um preço maximizado. De forma alguma eles têm interesse em expandir a produção muito rapidamente.
E o que eles farão com a receita proveniente do comércio do óleo? Muitos são sociedades fechadas altamente controladas. Muitos aproveitam para adquirir armas para uso em conflitos com vizinhos. Todos discordam da política americana de suporte a Israel em investidas deste país na palestina e Líbano e, claro, da invasão do Iraque.

O que o povo árabe comenta nas ruas?


O sentimento popular na região vem se tornando mais e mais contrário aos regimes impostos pelo dinheiro americano ou pelo oeste de maneira geral. Enquanto isso, grupos extremistas como o Al Qaeda tem encontrado terreno fértil para o recrutamento diante do descontentamento gerado por este estado de coisas. Não se pode retirar a razão deles, como declarou Noam Chomsky:

“It might be an interesting research project to see how closely the propaganda of Russia, Nazi Germany, and other aggressors and occupiers matched the standards of today’s liberal press and commentators..”

“ A comparação é, claro, injusta”, continua ele. “Diferentemente dos invasores alemães e russos, as forças americanas estão no Iraque por direito, em princípio, demasiado óbvio mesmo para enunciar, que os EUA são os donos do mundo. Assim, pela lógica elementar, os EUA não podem invadir e ocupar outro país. Eles só podem defender e libertar outros. Predecessores, mesmo os mais monstruosos, que ocuparam pela força, têm comumente se utilizado do mesmo princípio, mas de novo a diferença óbvia: eles estavam errados e os EUA estão certos. QED”

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

EUA E O ÓLEO


“I am saddened that it is politically inconvenient to acknowledge what everyone knows: the Iraq war is largely about oil,”
Alan Greenspan
(Ex-dirigente do Federal Reserve)

O bem estar da nação americana hoje depende da manutenção da acessibilidade segura de petróleo a preços estáveis

Se a produção doméstica continuar em declínio e a demanda continuar a crescer, os EUA progressivamente buscarão o óleo estrangeiro para suprir suas necessidades.
Dois terços das reservas remanescentes de Petróleo estão na politicamente volátil área do Oriente Médio onde diversas guerras já foram feitas pelo controle do óleo. EUA ocupam pela força o país com a segunda maior reserva conhecida.
Petróleo não é simplesmente outra forma de energia. Ele foi o principal alimento da prosperidade econômica na segunda metade do século passado, graças principalmente sua abundância na natureza, sua facilidade no transporte e estocagem, e grande quantidade de energia que se pode gerar a partir de pouco volume.

A humanidade foi se tornando de tal maneira dependente que seria inimaginável o mundo sem ele.

No entanto, todo este desenvolvimento parecerá artificial se um dia o óleo faltar.
Sem ele, a comida não vai poder ser entregue nas lojas, muitas pessoas não poderão ir ao trabalho, e muito do sistema de transportes deverá se tornar inoperante.

Produtos derivados do petróleo também aquecem lares e ambientes de trabalho e provêm matéria prima para a fabricação de muitos produtos, além de alimentar também a geração de eletricidade.

Os EUA são a maior economia e o maior consumidor de petróleo – 25% do consumo mundial. O óleo é o principal combustível do mercado de energia daquele país, representando aproximadamente 40% do total das necessidades americanas.


Atualmente, os EUA consomem mais que 20 milhões de barris diários (mb/d). Lá pelo ano de 2025, se nada mudar, estarão consumindo cerca de 28 mb/d.

O sistema de Transportes ( carros e caminhonetes particulares, veículos para fretes, linhas aéreas, navios e ferrovias) é de longe o maior responsável pelo consumo, e ainda é o setor que mais cresce em termos de consumo de óleo.

Em 1998, pela primeira vez, os EUA importaram mais que 50% de suas necessidades, e, em 2003, este percentual se elevou para 56%.


Em 2006 chegou a 60%.


Sua produção doméstica vem declinando progressivamente desde o seu pico em 1970, enquanto o consumo vem crescendo regularmente desde a metade da década de 80.

Neste passo, pelo ano de 2025, os EUA necessitarão importar mais que 80% de suas necessidades.
Óleo importado não é barato. Os preços do óleo cru no mercado mundial estão em seu maior nível de 20 anos para cá, muito acima do praticado em 2003 quando a guerra do Iraque começou.

Em março de 2004 os EUA gastaram quase 14 bilhões de dólares em importação do óleo, o equivalente a 30% do déficit comercial daquele mês. Hoje estão gastando mais que o dobro deste valor mensalmente.

Todas as nossas reservas em moeda estrangeira, segundo dados divulgados pelo Banco Central, dariam para comprar somente de seis meses de consumo americano e toda a nossa reserva de petróleo mal daria para suprir o mercado americano por um ano.

A dependência do petróleo importado é cheia de riscos. O fluxo de óleo dos paises produtores para os paises consumidores pode ser alterado pelo tempo, acidentes, quebra no fluxo de transporte ou escassez, revoluções, manipulações por cartel, picos de demanda, sabotagens e guerras.

Quando a escassez ocorre, os preços disparam e por ser forte a dependência, as economias se tornam vulneráveis à inflação, desemprego, inseguranças e incertezas.

Desde do sucesso da Gran Bretanha em converter a armada do carvão para o óleo no crepúsculo da Primeira Grande Guerra, até a fracassada invasão de Caucasus e invasão do Japão no Pacífico Sul na Segunda Grande Guerra, o petróleo tem sido a chave do sucesso nas conquistas militares.


Hoje, igualmente, o objetivo primordial na política militar dos EUA no exterior é assegurar o abastecimento de petróleo e interesses do país, usando a força se assim achar conveniente.

Hoje, tropas, tanques, aviões de combate, navios comerciais e a grande maioria dos navios de combate não podem se mover sem óleo. Em tempos de paz, as forças armadas americanas, constitui a organização que mais gasta óleo no mundo, consome cerca de 110 milhões de barris em produtos do petróleo a cada ano (mais que um por cento do total do consumo americano).

Em períodos de Guerra, as forças armadas americanas consomem muito mais combustível. O tanque MIA, por exemplo, gasta cerca de 4 litros por kilometro. A eficiência dos aviões de combate são bem piores. Nenhum comando militar aceita colocar limites de gastos em suas operações, e eles têm atravessado grandes distâncias para assegurar o suprimento farto do óleo.

Por décadas, o governo Americano tem solicitado de seus estrategistas militares formas de ter assegurado o acesso ao óleo estrangeiro. Hoje, isto se tornou um desafio maior, visto que as reservas remanescentes ainda por contabilizar, só deverão ser encontradas na área do turbulento Oriente Médio.
Por décadas, o povo Americano vem pagando um preço alto para a segurança do fluxo do óleo oriundo do Golfo Pérsico e de outras regiões ricas no mineral. Apesar do Pentágono não fornecer informações sobre o custo com a manutenção de militares no local, estimava-se antes de 2003 algo na faixa de 10 a 20 dólares por barril do óleo importado daquela região.
Agora, com a Guerra do Iraque, país que possui a segunda maior reserva mundial até o momento conhecida, tanto o custo financeiro como o também custo social foram para a estratosfera.


De acordo com Anthony Cordesman, expert nessas questões, o orçamento militar para a manutenção da estratégia corrente no Oriente Médio deve bater perto de 1 trilhão de dólares por ano.


Neste momento os EUA, pressionado pela baixa nos estoques, mantêm o preço na casa dos US$ 80 por barril. Segundo o próprio Greenspan, apesar da manobra do FED, é alta a probabilidade de uma recessão, e os dias tranquilos com relação à inflação mundial acabaram.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Pergunte ao Psicólogo




- Qual é a cotação do petróleo hoje no mercado internacional?
- Não sei. - Respondeu o examinado.
- Então você não é economista. - Como pode um economista não saber o preço do principal produto de consumo?


O preço do petróleo quebrou outro recorde, movido pelos estoques apertados de combustível no mercado americano, atingindo a marca histórica de $78,36 dólares o barril. Nem mesmo o anunciado aumento na produção dos Estados membros da OPEC, conseguiu acalmar o mercado. A tendência é forte pressão nos preços na medida em que se fortalece a demanda com a aproximação do inverno no hemisfério norte.

Parece incrível, mas é verdade. Nem mesmo a página do Bacen estampa o preço do óleo no mercado internacional. O País se comporta como se tivesse ficado rico deste bem e não precisasse mais acompanhar o seu preço.

Existe algum estudo econômico caso o Brasil importasse 50% do seu consumo, situação em que se encontrava nos anos 70?

Qual seria o impacto de um gasto,extra, mensal de 2,3 bilhões de dólares? Quando irá acontecer isto?

Estaremos preparados?

- Mas eu não sou economista –retorquiu o examinado
- Então o senhor deve ser um psicólogo, mas é a mesma pergunta, só vou mudar o enfoque.

O que significa essa aparente megalomania que acomete nosso governo e que vem contaminando a população? Nosso chefe maior, com um feixe de cana-de-açúcar debaixo do braço, sai como se tivesse a solução definitiva para o problema energético mundial. Imagino como a comunidade internacional se sente. Acho que se sente como nos sentiríamos diante de um vendedor de tônicos milagrosos que curam até viadagem.
O que um país com uma reserva micha de petróleo ( 15 bilhões de barris contra mais de um trilhão no restante do globo) e com gravíssimos problemas estruturais poderia contribuir para a melhoria do atual quadro e ainda ditar os caminhos em que seguirá a humanidade?
A produção brasileira de petróleo alcançou o seu pico ou está bem próximo dele, devendo atingir a produção máxima dentro dos próximos cinco ou dez anos. Com a opção pelas estradas de rodagem (isto deve ter acontecido pela sobra de asfalto que gerou no petróleo de baixa qualidade) nos tornamos super dependentes do diesel que não conseguimos suprir por nós mesmos.
A pressão nos preços dos alimentos que provoca os biocombustíveis já foi provada na China, que a forçou a proibir a produção do álcool a partir do milho.
Então o caso é o de uma psicopatologia pesada. E o diagnóstico mais provável é: Transtorno de Afeto Bipolar que tem por característica picos muito grandes de humor, em pouco espaço de tempo, pro lado da depressão (ou distimia ou disforia), e pro lado da mania (euforia ou eutimia). Por estes dois aspectos também conhecemos este transtorno como psicose maníaco-depressiva, e o doente sofre de mudanças de humor constantes, sendo perigoso e gastador em fases maníacas, e retraído, podendo se suicidar.

- Também não sou psicólogo - disse o misterioso examinado.

Enquanto isso o óleo parece ter encontrado seu espaço nas proximidades de USD 80 o barril, chegando a superar este patamar na última quarta feira.

A bem da verdade este valor ainda não impressiona, se corrigirmos a cotação em 1980 de USD 38 o barril para hoje, poderíamos chegar a alguma coisa como USD 101 o barril, dependendo da metodologia utilizada para esta correção.

O que realmente impressiona é o apodrecimento da moeda americana.

A balança comercial dos EUA registrou um déficit de US$ 64,8 bilhões no mês de junho. O resultado de junho foi o quinto pior já registrado nos EUA. Já o resultado de maio, US$ 65 bilhões, foi revisado para cima em US$ 1,1 bilhão em relação ao divulgado anteriormente.

As importações de petróleo e bens de consumo foram maiores do que as divulgadas anteriormente.A balança comercial americana acumulou déficit de US$ 768 bilhões no primeiro semestre, em termos anualizados.

O número já ultrapassa os US$ 716,7 bilhões registrados para todo o ano de 2005.

Quem estaria financiando este déficit?

sexta-feira, 20 de julho de 2007

CRISTAIS DE MAR



Um mundo de rosas
Um mar de cristais

Dois deles fazem teus olhos

A vida encontra o seu desejo
Em largos campos de sais

Cristais de mar
Eu vejo em ti
Embora
No momento, distante
Eu poderia ser um cristal ou diamante
Aderido a teu corpo
Em algum lugar
Neste
Mundo
De Cores
Profundas
Teu olhar
Me persegue
Até quando
Desenho
Esta
Rosa
Que ora ofereço à deusa que tomou a tua forma
À deusa nua e descalça
Que abençoa a terra com teus pés
Os mares e os pantanais

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Um Futuro Distante


Em um futuro bem distante, se permitirem que este aconteça, não teremos mais exércitos nem sindicatos. Não que eu esteja deflagrando um movimento contra organizações de luta ou combate, mas creio que no futuro não teremos nem mais lutas de boxe.

A explicação para esta certeza é simples. Estas organizações não sobrevivem sozinhas, então sob o risco de extinção o homem terá que sobreviver a elas.
O homem consciente, como eu o vejo no futuro, se este futuro existir, não participará de nenhuma organização por pura falta de tempo.

Estará envolvido em seus próprios afazeres, absolutamente consciente da necessidade deles e não poderá emprestar seu tempo ao interesse de outros.

Quando eu estava em Cuba, gostava de estar quieto no barco ouvindo os discursos, ou melhor, as conversas de Fidel Castro. Era o meu deleite. Ainda não tive notícia de um humano mais consciente nestes tempos DC. Agora, de volta ao meu antigo trabalho, neste outro mundo, me surpreendo com a reprodução de um pronunciamento do comandante estampado na Folha, em que os lampejos desta consciência estão muito presentes.

Quanto aos assuntos econômicos concretos, acredito que em quase todos os países os cidadãos os ignorem de todo. É imprescindível compreender por que sobem os preços do petróleo, que na semana passada atingiu a cotação de US$ 77 por barril; por que sobem os preços dos alimentos, como o trigo e outros, que por motivos climáticos precisam ser importados; se a causa da elevação é permanente ou conjuntural.”

A formação de consciência é o que permite a superação dos tempos de crise. Sem ela, fenômenos desagregadores colocam em decomposição estruturas sociais, instituições ou governos levando a necessidade de amputação de membros valiosos por força da sobrevivência.
“Nem todos os trabalhadores recebem estímulos em pesos conversíveis, uma prática que se generalizou em grande número de empresas durante o período especial, sem que, em numerosas ocasiões, cumprisse os requisitos mínimos prometidos. Nem todos os cidadãos recebem do exterior moeda conversível, algo que não é ilegal mas que ocasionalmente cria desigualdades e privilégios irritantes em um país que se esforça por prover gratuitamente os serviços essenciais à sua população. Não vou mencionar os lucros suculentos auferidos por aqueles que transportavam moeda estrangeira clandestinamente, nem os truques que usaram para combater nossas medidas de repressão ao dólar por meio da conversão do dinheiro em outras moedas”

Cuba convive com duas moedas, uma não cambiável, a moeda nacional chamada de Peso Cubano e a outra o “Peso Cubano Conversível”, criada para tirar o US Dólar do mercado corrente.

A falta de comprometimento de alguns segmentos da população com o governo ou com o ideal igualitário é o principal problema no regime cubano como em qualquer regime, provocando fissuras perigosas na estrutura governamental.

A experiência cubana é muito importante para a nossa nós porque, hoje, Cuba já vive o que viveremos mais no futuro, quando a escassez artificialmente imposta pelos EUA no caso deles, com o boicote, atingir todo o mundo de forma natural e real.

“É indubitável que em Cuba as pessoas que, de uma outra forma, recebem pesos conversíveis --ainda que nesses casos o montante seja limitado-- ou aquelas que recebem dinheiro do exterior adquirem ao mesmo tempo, serviços essenciais gratuitos, alimentos, remédios e outros bens a preços ínfimos, subsidiados. Ainda assim, estamos cumprindo estritamente as nossas obrigações financeiras, exatamente porque não somos uma sociedade de consumo. Precisamos de administradores sérios, valentes e conscientes.”

Em um futuro nem tão distante, o consumismo encarará o seu fim. O principal produto de consumo, o petróleo, estará em agonia, acentuando a crise de escassez de alimentos. Grandes obras, rodovias e aeroportos estarão abandonados.

Vivemos um tempo de bonança.

A tempestade começa a se armar, temos que nos preparar para ela.

“Aqueles que gastam gasolina a torto e a direito com nosso atual parque de veículos de todo tipo; aqueles que esquecem que sobem constantemente os preços dos alimentos e que as matérias-primas para a agricultura e a indústria, muitos de cujos produtos são distribuídos a todos com preços subsidiados, precisam ser adquiridas a preço de mercado; ---todos eles podem comprometer a independência e a vida de Cuba, e com isso não se brinca!”

“Há cada vez mais milhões de pessoas que precisam de água potável, legumes, frutas e alimentos protéicos...”

Em um futuro próximo se acelerará a fome e a favelização. Em uma sociedade tão desigual quanto a nossa é como uma bomba atômica enterrada, não vamos poder caminhar inocentemente pelo nosso solo.

“O pior é que existem mais de 500 automóveis particulares para cada mil pessoas. Nos Estados Unidos, o total chega a quase mil por mil. As pessoas vivem longe de seus locais de trabalho. Cada uma delas tem uma garagem. Cada local de trabalho tem um estacionamento. As refinarias não dão conta...”

Até quanto e até quando temos o direito de gastar o que é dos outros? Gastarmos o que outros economizam? A questão não é simples quanto a escolha de um modelo de automóvel que conseguiremos comprar com o dinheiro que uma greve nos render.

“A matéria-prima das refinarias é o petróleo, e quanto mais pesado ele for, maior volume é necessário para refino. Há muito tempo não surgem grandes descobertas de petróleo leve...”

O petróleo leve já foi quase que todo. É a realidade presente, o fim já ao alcance da visão.

“Greve na Nigéria, guerra no Iraque, ameaças ao Irã, os velhos conflitos políticos na Europa, um maremoto, um ciclone causam disparada dos preços. Os velhos e os novos consumidores em larga escala demandam milhões e milhões de barris adicionais ao dia. Ao mesmo tempo, também avançam os planos de construir novas usinas nucleares...”

O planeta ficou pequeno. Sem um governo único em favor da administração dos conflitos mundiais presenciamos as degradações e as ameaças de aprofundamento da crise e não de sua solução.

“Depois de gastar uma montanha de ouro destruindo o Vietnã, o presidente Richard Nixon substituiu o ouro por cédulas de papel, sem que as pessoas se inteirassem das conseqüências.”

“O desenvolvimento tecnológico dos Estados Unidos era tamanho, sua capacidade de produzir bens agrícolas e industriais era tão grande e, especialmente, o poderio militar do país era tão imenso que a substituição do ouro por cédulas não resultou em tragédia.”

“Com papéis o império adquiriu boa parte das riquezas do mundo, e impôs suas leis a esses lugares, menosprezando a soberania das nações.”

“O dólar foi perdendo progressivamente o valor, até seu valor chegar a menos de 6% do que era na década de 70. Os especialistas estão desconcertados diante dos novos fenômenos. Ninguém está seguro quanto ao que vá ocorrer. Existe ou não razão para aprofundar a discussão desses temas?"

Assim, creio que satisfaço às pessoas que me pediram esclarecimentos quanto a minha argumentação e onde quero chegar, com esta longa nota.

Aos que afirmaram ser a mim superiores, eu os desafio a mostrar onde são.

Aos que tomaram armas, estes são os mesmos que semeam a discórdia e que duvido que tenham chegado até aqui, ou mesmo se leram alguma parte, porque são cegos.

A eles falta qualquer futuro