quinta-feira, 24 de abril de 2008

BRASIL NA OPEP







A descoberta de petróleo na bacia de Santos deu destaque internacional ao Brasil reforçado, principalmente, pela atual turbulência no mercado de energia, e pelo crescimento de discussões quanto à estarmos perto ou não de limites de oferta do óleo no mercado global.

Crescem especulações sobre coisas do tipo de o país integrar a OPEP ou se tornar um exportador de peso deste bem precioso.

Mas a coisa não é assim tão fácil. Muito do que se veicula na imprensa não passa de movimento especulativo, visando beneficiar um ou outro grupo.

Recentemente, um desses movimentos, que teve alcance internacional, movimentando as bolsas de valores do mundo inteiro, foi o da Petrobrás e o "vazamento" de informações com relação ao campo Carioca.
Sabe-se da existência desse campo desde setembro de 2007.
Técnicos e estudiosos já falavam em janeiro passado que a reserva na bacia de Santos poderia chegar a 46,5 bilhões de barris.
Nenhuma novidade, portanto, mas soou como tal, levando à supervalorização das ações da companhia.

O que de fato temos?

O país realmente começou a sua produção de petróleo no mar em 1977 na bacia de Campos. Neste primeiro ano produziu, naquela bacia o equivalente a 2792 barris por dia pulando para 8504 barris por dia no ano seguinte. Isto era apenas 5% do que o país produzia, o óleo de extração mais fácil, em terra, era que dominava as estatísticas, representando cerca de 72% da produção.
Toda nossa produção em 1978 se resumiu ao equivalente a 160.000 barris por dia.
No mar, começamos pelo mais fácil, como era de se esperar, em campos de até 200 metros de lâmina d’água (espaço compreendido entre a superfície e o fundo do mar) e seguimos partindo para profundidade maiores, chegando próximo aos 2500 metros.

Depois de 30 anos, e muitas plataformas lançadas , a bacia de Campos passou a produzir o equivalente a 1.475 mil barris diários, representando 82% da produção total do país.

Neste contexto, nosso principal campo em operação é o de Marlim.

O Campo de Marlim foi descoberto em janeiro de 1985, através do poço RJS219A. Está distante aproximadamente 110 Km do litoral do Rio de Janeiro em lâmina dágua que vai até 1000 metros. Devido ao vulto e à complexidade do projeto, o desenvolvimento deste campo foi planejado em 5 módulos com sete unidades de produção (quatro do tipo plataforma SS "semi-submersível" - e 3 do tipo FPSO "Floating, Production, Storage and Offloading") e 1 unidade de tratamento e estocagem (do tipo FSO "Floating, Storage and Offloading"). O desenvolvimento definitivo do campo iniciou-se pelo Módulo um, com a instalação da plataforma P-18 em maio de 1994. O pico de produção de óleo foi de 586.315 bpd em 2002, quase a metade do total produzido em mar na época.
Hoje, porém, Marlim está em declínio, com produção por volta de 350.000 bpd, mesmo assim, é o campo que mais produz.
A Petrobrás, hoje, explora os limites da bacia de Campos com os campos de Marlim Sul e Roncador.
O Campo de Marlim Sul, descoberto em novembro de 1987 através do poço RJS-382, está situado a cerca de 120 km do litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, em lâminas d’água de 850 a 2400 m e ocupando uma área de aproximadamente 600 km2 .
Em 30 de abril de 1994 iniciou-se a produção do campo com o poço MRL-4, interligado à plataforma PETROBRAS-20, situada no campo de Marlim.
Atualmente esse poço produz para a plataforma PETROBRAS-26, também do campo de Marlim. Ainda em caráter piloto, em agosto de 1997 foi colocado em produção o poço MLS-3B, na área do Módulo 4, conectado a um navio do tipo Floating Production Storage and Offloading (FPSO), o FPSO-II, ancorado em profundidade d’água de 1.430 metros. Sua produção foi encerrada em outubro de 1998, após o término da campanha de coleta de dados.
Em 17 de dezembro de 2001, entrou em a operação a plataforma PETROBRAS-40 (P-40), com o início da produção do poço MLS-10, na área do Módulo 1. O Módulo 1 compreende a produção de poços diretamente para a plataforma semi-submersível P-40, em profundidade d’água de 1.080 metros. O óleo produzido, após sofrer tratamento na P-40, é transferido para um navio do tipo Floating Storage and Offloading (FSO), denominado PETROBRAS-38 (P-38), ancorado em profundidade d’água de 1.009 metros. O óleo armazenado na P-38 é transferido, periodicamente, para navios aliviadores, para transporte até os terminais no continente. O gás produzido é comprimido na P-40 e escoado para a Plataforma de Namorado-1 (PNA-1), no Campo de Namorado, se incorporando, a partir deste ponto, à malha de gasodutos da Bacia de Campos.
O Módulo 2 de Marlim Sul encontra-se em fase de desenvolvimento. Este módulo compreende a instalação de uma unidade de produção designada de PETROBRAS-51 (P-51), em profundidade d’água de 1.250 metros. A previsão é que a P-51, de US$ 830 milhões, deixe o estaleiro Brasfels rumo à locação em setembro. A plataforma deverá entrar em operação até dezembro deste ano. A unidade terá capacidade para processar e tratar 180 mil barris de petróleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás, além de injetar aproximadamente 282 mil barris de água no reservatório diariamente.
Os Módulos 3 e 4 encontram-se em estudos. Estima-se o pico de produção em 419.000 bpd em 2010.
Hoje Marlim Sul produz cerca de 140.000 bpd

O Campo de Roncador, localizado na área norte da bacia, a cerca de 125 km do Cabo de São Tomé, foi descoberto em outubro de 1996, com a perfuração do poço 1-RJS-436A.
O Campo de Roncador possui uma área de 111 km² e está sob uma lâmina d'água (LDA) que varia de 1.500 a 1.900 metros.
Devido à extensão de sua área, o desenvolvimento da produção de Roncador foi planejado para ocorrer em 4 módulos.
A produção do campo teve início em 23 de janeiro de 1999, quando o navio de produção de posicionamento dinâmico (DP FPSO) SEILLEAN foi interligado ao 1-RJS-436A por um sistema pioneiro, que representou à época, recorde mundial de lâmina d'água: 1.853m.
Em maio de 2000 entrou em operação o Sistema de Produção do Módulo 1 de Roncador. Composto pela unidade de produção semi-submersível (SS) P-36 e pelo navio de estocagem (FSO) P-47.
As inovações tecnológicas aplicadas pela Petrobras na implantação do Sistema Piloto de Roncador e no Sistema de Produção do Módulo 1 renderam à companhia o Distinguished Achievement Award da OTC 2001.
Após o acidente com a plataforma P-36, em 15 de março de 2001, que resultou no seu naufragio 4 dias depois, a concepção de desenvolvimento de Roncador foi revista e o Módulo 1 foi rebatizado como Módulo 1A, passando a ser dividido em 2 fases. A Fase 1, concebida como uma solução de curto prazo para a retomada da produção do campo, é composta de 8 poços produtores, além do poço produtor RO-42, do Módulo 2 , e 3 injetores interligados a uma unidade de produção do tipo FPSO, com as seguintes características:
Capacidade de processamento de óleo 100.000 bpd

Lâmina D’água 1.290m
Esse FPSO, denominado FPSO BRASIL, foi afretado à empresa SBM - Single Buoy Moorings Inc. e convertido em tempo recorde, tendo retomado a produção dos poços que estavam interligados à P-36 em 8 de dezembro de 2002, cerca de 20 meses após o acidente ocorrido com a plataforma.
Dos 8 poços produtores que integram a Fase 1 do Módulo 1A de Roncador, todos tem suas linhas de produção de óleo conectadas diretamente ao FPSO BRASIL.
A Fase 2, etapa de conclusão do Módulo 1A, foi concluída com a entrada em operação em novembro de 2007, de uma plataforma do tipo semi-submersível (SS), denominada P-52. Essa unidade, ancorada em LDA de 1.800 metros, tem capacidade para processar e tratar 180.000 bpd de óleo, com pico de produção previsto para o segundo semestre de 2008.
O Módulo 2, também concluído, consiste na utilização de uma embarcação do tipo FPSO, denominada P-54, que iniciou produção em dezembro de 2007. Esta ancorada em LDA de 1.400 m, sendo dotada de facilidades de produção para processar e tratar 180.000 bpd de óleo.
Os Módulos 3 e 4 de Roncador encontram-se atualmente na fase de concepção de alternativas de seus sistemas de produção. A Petrobras estima que até 2015, Roncador ultrapasse a marca dos 470.000 barris/dia de produção.

Em resumo:
4 módulos sendo 2 em desenvolvimento e 2 em estudo Pico de produção: 473 mil bpd em 2015
Produção média em março de 2008 : 146.000 bpd
Depreende-se disto que, o que vale realmente não é exatamente a extensão do campo e sim qual a vazão máxima de extração, a dificuldade e a qualidade do óleo.

Somando a lâmina d'água mais a profundidade de soterramento, há poços na Bacia de Santos onde a Petrobras terá de ir a até 7.300 metros de profundidade total.
''É muita rocha'', como já disse o gerente-geral da Unidade de Negócios da Bacia de Santos (UNBS), José Luiz Marcusso.
Na Bacia de Campos, a maior lâmina d'água é de 2.500 metros e o soterramento é, em média, de 1.500 metros. Um ou outro campo ultrapassa três mil metros, mas os grandes campos estão entre 800 e 1.500 metros.
Na Bacia de Santos, no entanto, a média fica na faixa de 4.500 metros, podendo chegar a 5.300 metros de perfuração na rocha.
A profundidade total na bacia de Santos é quase o dobro da de Campos.
Maior profundidade, em regra, representa menor produção.
Numa aproximação bem simples. Se a Petrobrás colocar duas vezes mais dinheiro do que colocou em Campos e na metade do tempo, e também levando em conta os novos desafios que aparecerão na exploração da bacia de Santos, podemos esperar uma produção de algo próximo de 1.000 mil barris diários em 2025 na região, dos quais, 500 mil apenas compensarão o declínio de produção dos campos mais antigos em terra e em Campos.
Assim, tudo correndo bem, o Brasil estará produzindo 2.500 - 2.700 mil bpd em 2025, numa projeção bem otimista.
Considerando que o crescimento do PIB demanda um crescimento de consumo de energia mais ou menos no mesmo passo, estaríamos, naquele ano, apenas mantendo a nossa auto-suficiência.
Mesmo que num esforço supremo nos transformássemos em exportador de petróleo, o que de bom nos traria isto?
Países exportadores, no geral, utilizam dessa receita para enriquecimento de minorias e investimento bélico.
Mesmo que o Brasil se portasse totalmente diferente, seria ainda equiparado a um piloto insensato que, numa prova de distância, vende seu combustível para comprar algum conforto, como um ar condicionado, colocando em risco sua própria permanência na prova.
Ao contrário, se fôssemos sensatos, estaríamos investindo mais na redução do consumo através da melhoria da eficiência de nossos veículos, estímulos à produção de veículos mais econômicos e inibição à produção e importação de veículos gastadores.
Vencedor é o que chegar mais longe.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

TIME




A capa da revista TIME desta semana reflete muito bem o pensamento de Bush sobre a atual crise em que vivem os EUA.
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O indice de preços por atacado nos EUA subiram até três vezes mais que o esperado em março devido ao custo da energia e alimentos.
Em março o “wholesale” subiu 1,1%, o maior incremento desde os 2,6% em novembro que por sua vez o maior em 33 anos. O valor esperado era em torno de 0,4%.
A chamada inflação central em março, que exclui a variação dos preços da energia e alimentos ficou em 0,2%, queda de 0,3 em relação ao preocupante 0,5% de fevereiro
Em doze meses, o índice dos preços por atacado ficou em 6,9% e a inflação central em 2,7%, a maior em dois anos.
A pressão inflacionária ocorre em um momento em que a economia desacelera, muitos chegando a crer já estar em recessão. Isto aumenta o temor de uma estagflação tal qual como ocorrida na década de 70 quando o crescimento parou e a inflação continuou crescendo.
Isto coloca o Fed em cheque. O banco central americano vinha cortando as taxas básicas de juros num esforço para combater a desaceleração. No entanto, a pressão inflacionária pode forçá-lo a parar com os cortes antes que a coisa fique pior.
Em março, o preço da energia subiu 2,9%, o maior salto desde novembro. O preço da gasolina ficou maior em 1,3% enquanto que o gás natural subiu 4,2% e o diesel subiu incríveis 15,3%.
Os analistas preveem que a economia deverá ser atingida por mais pressão da área energética nos próximos meses, refletindo o fato de que o óleo deve ficar acima dos $111 por barril.
Os alimentos subiram 1,2% em março, material de limpeza, 2%, e ração dos pets 1,3%.
A variação do preço ao consumidor, para o mês de março, a ser divulgado na próxima quarta, deverá ficar em torno de 0,3%.

terça-feira, 1 de abril de 2008

TAXA DE INTERESSES



Leio o jornal:

Em recente reunião com a área econômica, o presidente Lula perguntou quais as soluções para evitar pressão nos preços neste ano e, sobretudo, na virada para 2009, fora a elevação dos juros. Além de medidas para desacelerar a concessão de financiamentos, foi proposta a adoção de incentivos à exportação.”

Eu não sei quem eram os presentes na dita reunião. Se o Meirelles estava lá ou não, por exemplo, mas não creio que tenha participado alguém seriamente envolvido nos mistérios das Ciências Econômicas ou mesmo alguém provido de certo raciocínio lógico.

Para começar, o que eles chamaram de “desacelerar a concessão de financiamentos” seria a limitação dos prazos máximos para financiamentos, hoje, no caso de financiamentos de veículos, podem chegar a sete anos, mas continuo lendo:

O setor que mais preocupa é o automotivo. O ministro Miguel Jorge (Indústria e Comércio) deverá anunciar no início do próximo mês (abril) uma política de incentivo às vendas externas e a idéia é que contemple as exportações de veículos, para "compensar" a restrição ao crédito no setor. Um dos pontos mais questionados é o financiamento muito longo, chegando a sete anos. A idéia é reduzir para até três anos.”

Isto de limitar os prazos de financiamentos deve ter provocado um certo tipo de comoção no meio financeiro. Por isso hoje pipocam na imprensa toda a série de desmentidos:

Ontem, o ministro Guido Mantega (Fazenda) negou que o governo tenha a intenção de adotar medidas para conter a expansão do crédito no país, como a limitação do prazo de pagamento.”

Por que será que houve um retrocesso tão rápido? Resposta a seguir:

Os maiores bancos brasileiros trataram hoje de tranqüilizar o ministro Guido Mantega (Fazenda) sobre a qualidade das operações de crédito no país. Segundo Fábio Barbosa, presidente do ABN Amro Real e da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), não há necessidade de ajustes nas medidas em vigor hoje.”

Como posso imaginar, visto pelo lado dos banqueiros, o Guido Mantega surtou, e logo eles trataram de sedá-lo com doses cavalares de tranqüilizantes.

Mas dentro dos fundamentos da macroeconomia, o surto do Mantega “makes sense”.
Se se quer inibir a demanda nada melhor do que dificultar o crédito, assim, o cidadão impossibilitado de arcar com a elevação das parcelas e do eventual valor da entrada estaria mais propenso a poupar se quisesse realmente adquirir algum bem.

Mas continuando a investigar, se pode descobrir com relativa facilidade a razão de uma reação tão truculenta dos banqueiros à idéia de restrição do crédito.

Em outra reportagem de Sheila D’Amorim da Folha de São Paulo em Brasília, é esboçado o atual perfil do consumidor brasileiro, e como os agentes financeiros estão fazendo para driblar a exorbitância de nossas taxas de juros e o papel do Banco Central, se de médico, se de louco ou de simples transeunte:

“...Quem não está muito confortável com tamanha movimentação (expansão do consumo) é o Banco Central. No papel de segurança da festa, ficou com a responsabilidade de garantir a normalidade e de enquadrar os excessos.”

"No entanto, esses convidados --gente como a empregada doméstica Altiva Fernandes de Souza, 39, o vigia Orliam Oliveira, 38, e a diarista Gorete dos Santos, 43-- pouco respondem ao seu comando.
Empolgados com a possibilidade de entrar numa loja e levar para casa bens há muito tempo desejados e a que eles dificilmente teriam acesso sem "a facilidade do pagamento parcelado", eles não sabem o que é a taxa Selic (referência de juros para economia) e não se preocupam se ela caiu, subiu ou se irá permanecer em 11,25% anuais ao longo de 2008 por causa "da confusão nos Estados Unidos."

“Também não sabem que os alertas conservadores da ata do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) fizeram os juros futuros (projetados para março do ano que vem) subirem 0,5 ponto percentual. Como, na prática, são essas taxas que impactam o custo dos empréstimos concedidos pelos bancos, pelas financeiras e pelo varejo no curto prazo, essa foi uma das formas escolhidas pelo Banco Central para atingir o público das compras a crédito
.”

Necessário que se abra um parênteses aqui. A simples menção em reajustar a taxa básica já provocou uma alta nas taxas dos contratos de juros futuros como bem documentado neste outro excerto de reportagem de 13/03/2008:

Os contratos de juros futuros apresentam forte valorização na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O movimento de alta foi impulsionado pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que indicou que o colegiado já cogitou a possibilidade de elevar a taxa Selic na reunião da semana passada. Além disso, a forte deterioração do cenário externo contribui para o aumento nos prêmios de risco.”

O que qualquer pesquisa pode revelar e eu de fato duvido que o Bacen não saiba disto, é que o pobre povo brasileiro não se importa em ser saqueado. Isto acontece porque nunca antes teriam experimentado uma economia estável com taxas de juros normais. A continuação da reportagem confirma a tese:

A matemática desses consumidores é bem simples. "Na verdade, a gente olha o valor do bem no Ponto Frio, nas Casas Bahia e em outras lojas e faz a comparação para ver quem oferece mais vantagem, a melhor prestação", diz Altiva Fernandes de Souza. "Não compro em qualquer lugar. Olho a qualidade, o preço à vista e quanto fica a parcela no cartão. Faço, no máximo, em dez vezes", diz Gorete dos Santos.
Para essa população, juros são calculados em reais, equivalem à diferença entre o total das parcelas que serão pagas e o preço à vista da mercadoria e são toleráveis desde que, no final das contas, o valor desembolsado não ultrapasse o dobro do preço à vista. A regra, no entanto, é flexível e pode não ser aplicada a bens mais caros como geladeiras ou aquele sofá dos sonhos.
De acordo com dados obtidos em instituições de crédito para baixa renda, mais de 70% dessas pessoas concordam com Altiva e Gorete. O que conta na hora de fazer o crediário é o valor e a quantidade de parcelas. Menos de 10% dizem se incomodar com o percentual de taxa de juros
.”

Qualquer um que saiba contar de um a dez sabe que se colocam 10 jogadores em campo com somente um único sabendo que, para ganhar é necessário chutar para o gol, também sabe que não vai haver jogo.

Assim o Banco Central sabe que o aumento da Selic não vai conter a demanda em nenhuma hipótese, e pior, pode ter o efeito inverso.

Isto porque a classe mais esclarecida ao analisar a tendência, poderá concluir que é melhor comprar agora, antes que a coisa fique mais difícil.


Um boom no consumo representará o chamusco de pólvora na cara destes economistas de araque.

Enquanto isso, o crédito, tal qual erva daninha, vem se expandindo e conquistando mais espaço, como se depreende na continuação da reportagem:

Como é um mercado novo, em que os próprios bancos estão aprendendo a trabalhar, é difícil obter estatísticas exatas. Quem as tem guarda a sete chaves porque elas são consideradas informações estratégicas num mercado intensamente disputado.
"Há um grande mercado a explorar. As classes de maior renda já estão bem assistidas. É preciso desenvolver produtos de crédito para baixa renda", afirma Gilberto Salomão, diretor-geral do Lemon Bank, instituição lançada em 2002 voltada para pessoas com menor renda familiar.”

Por outro lado, já é visível a deterioração do comércio exterior como estampam as manchetes atuais, em que a alta taxa de juros só faz agravar pela valorização da moeda nacional:

“A balança comercial brasileira apresentou no mês passado um saldo positivo de US$ 1,012 bilhão, uma queda 69,4% em relação ao registrado em março de 2007. Mais uma vez, as importações tiveram um crescimento muito acima das exportações, segundo os dados divulgados nesta terça-feira pelo Ministério do Desenvolvimento.”

A taxa de juros, hoje no Brasil, em termos absolutos, é a mais alta do globo. Em termos relativos é ainda maior, surpreendentemente gigantesca, para um país estável. Vem atraindo vultosos investimentos estrangeiros na caça de altos ganhos a baixo risco. O que faz o Bacen mantê-la é um verdadeiro mistério. Não existem estudos precedentes que a avalizem, nenhum empirismo que as suporte e nenhum interesse em conexão com o interesse comum ou da nação.